Vencedor do prémio Corsino Fortes espera que os seus escritos venham a ganhar mais leitores

Cidade da Praia, 14 Mar (Inforpress) – O escritor Domingos Landim disse hoje, na Cidade da Praia, esperar que os seus escritos venham a ganhar mais leitores depois de vencer a II edição do Prémio Corsino Fortes de Literatura, com a obra “Jornada de Ádvena”.

“Até este momento, eu era muito pouco conhecido e os meus livros não eram muito divulgados e este prémio é uma forma de os leitores me conhecerem e ler mais os meus escritos”, notou Domingos Landim, em declarações a Inforpress, depois de receber o prémio.

Domingos Landim recebeu um cheque no valor de 1.000.000 escudos (um milhão de escudos cabo-verdianos), e um diploma da Academia Cabo-verdiana de Letras.

Para o escritor, este prémio é muito importante, mas ressaltou simbologia, na medida em que, segundo ele, prestigia Corsino Fortes, “que foi uma grande figura da literatura cabo-verdiana.

“Quem vencer este prémio vai ficar automaticamente ligado a Corsino Fortes, por isso o meu contentamento é enorme por se tratar do primeiro prémio e logo de uma grande dimensão”, notou.

Revelou, no entanto, que ficou surpreendido por ganhar esse galardão com um escrito de prosa, uma vez que os seus dois anteriores livros foram de poesia.

Este prémio, de periodicidade bianual, promovido pelo BCA, em parceria com a Academia Cabo-verdiana de Letras, visa galardoar uma obra inédita de um autor cabo-verdiano, no domínio da literatura.

O júri, de acordo com uma nota da ACL, foi constituído por personalidades do mundo académico de “reconhecida idoneidade” e é presidido pela professora Maria Faria, sendo ainda constituído por Augusta Évora Teixeira e Maria de Fátima Fernandes.

Para o apuramento da obra vencedora desta segunda edição do concurso, ao qual concorreram oito obras, o corpo de júri procedeu a atribuição de uma pontuação na escala de 0 a 100.

O poeta José Luiz Tavares, natural de Tarrafal de Santiago e residente em Portugal, foi vencedor da primeira edição
Corsino Fortes nasceu a 14 de Fevereiro de 1933, no Mindelo, S. Vicente, tendo sido aplaudido pela crítica como o príncipe ou o poeta maior de Cabo Verde.

A poesia tornou-se pública na sua vida em 1957, quando saíram os seus primeiros poemas no jornal do 3º Ciclo Liceal.
Licenciou-se em Direito, pela Universidade de Lisboa em 1966, onde viveu na Casa dos Estudantes do Império.

Os seus poemas apareceram nos anos 1960, em algumas publicações como a revista Claridade ou a Antologia Modernos Poetas Cabo-verdianos.

Mas só lançou o seu primeiro livro em 1974, “Pão & Fonemas”, que com “Árvore & Tambor”, editados em 1986 e “Pedras de Sol & Substância”, em 2001, formou “A Cabeça Calva de Deus”. A trilogia conta a saga do povo para a liberdade.

Presidiu à Associação dos Escritores de Cabo Verde (2003-2006). As obras como “Pão e Fonema” ou “Árvore e Tambor” expressam uma nova consciência da realidade cabo-verdiana e uma nova leitura da tradição cultural do arquipélago.

Corsino Fortes faleceu no dia 24 de Julho de 2015, depois de longos anos de luta contra o cancro e de ter lançado novo livro, a menos de uma semana antes da morte.

OM/JMV

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