Uma visita de Jorge Carlos Fonseca a Bissau acarreta o risco de ele ser envolvido na campanha eleitoral – líder do PAIGC (c/áudio)

Cidade da Praia, 11 Fev (Inforpress) – O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, disse hoje que uma visita de Jorge Carlos Fonseca à Guiné-Bissau acarreta o “risco de ele ser envolvido na campanha eleitoral” a que, certamente, “ele não quer fazer parte”.

“Este risco é que pode dar lugar a reacções que podem  não ajudar e podem não ser uma boa propaganda para aquilo que são os laços de proximidade e de fraternidade existentes entre a Guiné-Bissau e Cabo Verde, indicou o presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, que alertou ao Presidente da República, que é também presidente em exercício da CPLP,  sobre a sua visita anunciada, em Bissau, para dois dias antes do início das campanhas eleitorais para as legislativas marcadas para 10 de Março.

Domingos Simões Pereira fez essas declarações à imprensa à saída da audiência com Jorge Carlos Fonseca que o recebeu no último dia da sua estada em Cabo Verde para encontros com entidades nacionais e a comunidade guineense radicada no país.

Segundo ele, neste momento, “é evidente e óbvia a dificuldade” do Presidente da Guiné-Bissau em “manter alguma equidistância” em relação ao jogo político na Guiné-Bissau e, por isso, “está mais do que claro” o risco a que está associada uma eventual visita de Jorge Carlos Fonseca a Bissau.

“Há poucos dias do início da campanha, temos visto o Presidente da República (José Mário Vaz) a multiplicar-se em acções de terreno, acompanhado de ministros de um partido político específico para ver se lhes dá palco de intervenção e presença”, precisou, lamentando o facto de o PAIGC ter estado “banido dos órgãos de comunicação social durante dois anos e meio”.

“Logo a seguir (às eleições) penso que todo o povo guineense estaria muito satisfeito de ver na Guiné-Bissau uma vista do senhor Presidente”, afirmou o líder do maior partido bissau-guineense, numa referência ao chefe de Estado cabo-verdiano.

Instado se Jorge Carlos Fonseca ficou sensibilizado com as suas explicações, Domingos Pereira Simões preferiu “não avaliar” e acrescentou que a Presidência da República de Cabo Verde saberá tomar as decisões que melhor entender.

“Deixei bem claro que vivemos bem com qualquer decisão que ele possa tomar”, enfatizou o líder do PAIGC, adiantando que quis “partilhar” com Jorge Carlos Fonseca, na qualidade de chefe de Estado, o seu sentimento e o da maior parte dos guineenses em relação a uma eventual deslocação do PR cabo-verdiano à Guiné-Bissau numa altura em que se iniciam as campanhas eleitorais.

Perguntado se há um risco real de haver manifestações, caso Fonseca visite a Guiné-Bissau, Domingos Pereira respondeu nesses termos: “Não quero comentar aquilo que se tem dito sem uma confirmação oficial. Quero assumir que há riscos de a visita ser mal-enquadrada e mal interpretada. E se for mal-enquadrada e mal interpretada provocará reacções. De que forma e de quadrantes não quero especular”.

Indagado pelos jornalistas se deixa Cabo Verde com o sentimento de que o chefe de Estado cabo-verdiano não vai visitar o seu país nesta fase eleitoral, Simões Pereira respondeu que ficou com o “sentimento que o Presidente Jorge Carlos Fonseca tem a intenção de visitar a Guiné” e que da parte dele há “o maior aplauso nessa intenção”.

“Mas também saí convencido que ele (Jorge Carlos Fonseca) tomará todas medidas no sentido de não ser parte do jogo político, que não é cabo-verdiano e é exclusivamente guineense”, salientou o presidente do PAIGC.

Em recentes declarações à imprensa, o chefe de Estado cabo-verdiano deixou transparecer que uma eventual visita dele à Guiné-Bissau teria como objectivo ajudar no sentido da criação de um “ambiente propício” para que haja “eleições tranquilas e transparentes” naquele país.

Domingos Simões Pereira garantiu que saúda o facto de Cabo Verde fazer parte dos países indicados como observadores do processo eleitoral guineense.

Disse, ainda, que a sua deslocação a Bissau só teria sentido se não houvesse “objecções por parte dos principais protagonistas políticos e eleitorais” desse país.

Antes do líder do PAIGC, esteve no país o secretário-geral (SG) do Partido de Renovação Social, Florentino Mendes Pereira, que se encontrou com entidades oficiais cabo-verdianas, nomeadamente o Presidente da República.

O SG da segunda maior força política da Guiné-Bissau contactou também com a comunidade do seu país radicada em Cabo Verde, no quadro das eleições legislativas previstas para 10 de Março naquele país da África Ocidental.



LC/CP

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