UCID denuncia “alto preço” do combustível praticado no aeroporto de São Vicente “mais do dobro”

Mindelo, 11 Fev (Inforpress) – O presidente da UCID pediu hoje ao Governo para esclarecer os motivos pelos quais o preço do combustível para aviões (JET A1) no aeroporto de São Vicente é “mais do dobro” do praticado em outros aeroportos internacionais do País.

António Monteiro, em conferência de imprensa, no Mindelo, na qualidade de deputado eleito pelo círculo eleitoral de São Vicente, que visitou de 04 a 10 do corrente, concretizou que, enquanto no aeroporto de São Vicente o galão de JET A1 “é vendido a 5,98 dólares”, nos aeroportos internacionais do Sal, Boa Vista e Santiago pela mesma quantidade “paga-se 2,87 dólares”.

“Este é um assunto que o Governo deve esclarecer, pois caso contrário é motivo para pensarmos que estará a travar o desenvolvimento e a economia da ilha”, referiu a mesma fonte, que questionou se haverá uma “vontade deliberada” de dificultar o funcionamento normal do aeroporto de São Vicente.

O líder da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) acusou ainda o Governo de “excesso de sigilo” em casos de negócios do Estado, tendo nomeado os casos da concessão das linhas marítimas inter-ilhas e da companhia aérea Binter.

A problemática da habitação na ilha de São Vicente foi outra questão abordada na conferência de imprensa, tendo Monteiro afirmado que a qualidade das casas na ilha “em muitas zonas deixa ainda muito a desejar”, com tectos de “má qualidade”, ajuntou, a “colocar em risco” a saúde física das pessoas.

Reconhecendo, embora, a validade do programa PRAA, a UCID considera que é necessário “fazer muito mais” tendo em conta as “grandes necessidades” da ilha e a “incapacidade financeira” da câmara para “responder satisfatoriamente e em tempo útil” às necessidades das populações na aérea da habitação.

Nesta temática, o presidente da UCID revelou ainda preocupação com o conjunto habitações do projecto Casa para Todos (classe A) que o Governo transferiu para a câmara municipal, por se “desconhecer qualquer informação” sobre o que a autarquia pretende fazer para a entrega dessas habitações às pessoas que “realmente” delas necessitam.

A UCID espera, por isso, afirmou a mesma fonte, que os critérios de selecção sejam “os mais transparentes possíveis” para se evitar “cair no erro” de dar habitação a quem já a tenha “em troca de favorecimentos políticos”.

“A UCID apela à câmara e ao Governo para que os critérios de selecção sejam amplamente divulgados e que as casas sejam distribuídas o mais rapidamente possível para não se ter a possibilidade de usá-las como moeda de troca em altura das eleições, que vão decorrer em 2020 e 2021”, apelou o líder partidário da oposição.

A agricultura que é praticada na zona de Tchã de Holanda, na Ribeira de Vinhas, cujos agricultores e criadores pedem investimentos na estrada de acesso ao local e meios para exportar os seus produtos para os mercados turísticos da Boa Vista e do Sal, e a questão do desemprego na ilha foram outras questões abordadas pelo deputado da UCID.

António Monteiro, nesta questão do desemprego, lembrou que São Vicente “não tem tido grandes projectos” para consumir o excesso de mão-de-obra originado pelo desemprego, pelo que deixou um desafio às autoridades local e nacional para encontrarem formas de financiamento e investimentos estrangeiros ou nacionais, em direcção a “grande projectos” para ilhas capazes de absorver a mão-de-obra existente.

Estas e outras questões serão levadas ao parlamento pelos três deputados da UCID, na sessão que principia esta quarta-feira, na Cidade da Praia, segundo António Monteiro.

AA/FP

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