Trump deixa paralisação do governo dos EUA sem final à vista

Washington, 09 Jan (Inforpress) – Ao 18º dia de paralisação parcial do governo dos EUA, o Presidente Donald Trump está a perder apoio no seu partido e a radicalizar a oposição, mostram reacções à explicação televisiva que fez sobre a sua estratégia de segurança.

No final da comunicação televisiva de Trump desde a Casa Branca, na noite de terça-feira para explicar a razão por que não assinará qualquer orçamento até o Congresso aprovar o financiamento para a construção de um muro na fronteira com o México – muitos representantes Democratas repetiram que não farão cedências, enquanto alguns Republicanos ameaçaram desertar do apoio ao Presidente.

Donald Trump dirigiu-se à nação num discurso televisionado feito pela primeira vez a partir da Sala Oval, na Casa Branca, e responsabilizou os democratas pela paralisação parcial do Governo (que dura há 18 dias) pela inexistência de um acordo no Congresso para financiar o muro.

As sondagens feitas após os nove minutos da comunicação presidencial mostraram que os norte-americanos acentuaram a perceção de que Donald Trump é o principal responsável pelo ‘shutdown’ parcial do governo, incentivando vários representantes Democratas a reagir às palavras do Presidente com críticas contundentes à sua falta de flexibilidade para aceitar compromissos que possam levar ao desbloqueio da paralisação.

“O Presidente Trump deve deixar de fazer os americanos reféns, deve parar a crise de produção e deve reabrir o governo”, afirmou a porta-voz da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, logo a seguir a ouvir a comunicação televisiva.

Por essa altura, já os assessores de Donald Trump tinham convencido o Presidente a deslocar-se hoje ao Capitólio, para um almoço com representantes Republicanos, numa tentativa de demover as intenções anunciadas por vários congressistas de se colocarem ao lado dos Democratas, na rejeição do financiamento do muro.

Mais dois senadores Republicanos, Lisa Murkowsky e Shelley Moore Capito, afirmaram terça-feira que estão disponíveis para se juntarem a um grupo de três colegas de partido preparados para se colocarem a par dos colegas Democratas na aprovação de um orçamento que permite a reabertura do governo sem fazer cedências na construção do muro.

O problema principal de Trump, na questão do ‘shutdown’, é não ceder na exigência ao Congresso para aprovar uma verba de 5,6 mil milhões de dólares (cerca de cinco mil milhões de euros) para a construção do muro, que fora uma das suas mais emblemáticas promessas na campanha presidencial de 2016.

Nas últimas semanas, vários líderes Republicanos e diversos comentadores políticos próximos do partido têm pressionado Trump a não ceder nessa questão, referindo que o Presidente perde margem de manobra para uma eventual reeleição se não cumprir essa promessa.

Mas no Partido Republicano cresce o desconforto com o prolongamento da paralisação do governo que, se chegar ao próximo fim-de-semana, se tornará a mais longa da história dos EUA (o recorde foi de 21 dias, em 1995, na Presidência de Bill Clinton).

“Esta paralisação será provavelmente inútil, prejudica os americanos e não é nada saudável para o nosso partido”, afirmou terça-feira a senadora Republicana Shelly Capito, dizendo que tentará interceder junto de Trump para criar condições para a reabertura rápida do governo.

Perante este cenário de impasse, Trump tem ainda o trunfo de declarar uma situação de emergência nacional, alegando falta de condições de segurança nas fronteiras e obtendo assim o dinheiro para a construção do muro, sem ter de passar pelo Congresso.

Contudo, vários constitucionalistas consideram que essa decisão poderá colocar dúvidas legais, que empurrariam a declaração de emergência para os tribunais, sem nenhuma certeza sobre o desfecho deste processo.

Lusa/Inforpress

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