Tarrafal de Santiago: Mais de uma centena de jovens saíram às ruas protestando contra situação em que se encontra o município

Tarrafal, 11 Jan (Inforpress) – Mais de 100 jovens saíram hoje às ruas no Tarrafal de Santiago, protagonizando uma marcha de protesto contra a situação em que se encontra aquele município do interior.

Segundo o porta-voz dos manifestantes, Zé Pequeno, esta manifestação não está alinhada com nenhuma força partidária, como disse à imprensa o coordenador da Comissão Política Concelhia do MpD, no Tarrafal de Santiago, José Soares, mas trata-se de uma “acção que surgiu da vontade e força de jovens nascidos no Tarrafal contra “o que não está bem no município”.

De acordo com a mesma fonte, o também deputado José Soares “esteve a rebaixar o povo do Tarrafal”, demonstrando, supostamente, que “o povo de Tarrafal não tem capacidade de mobilizar uma marcha”, para mostrar o seu desagrado sobre a situação em que se vive no concelho

Explicou que o motivo principal desta manifestação dos jovens deste concelho prende-se com “as péssimas condições em que se encontra esta região, numa estagnação que já vem de alguns anos pra cá, sem se desenvolver social e economicamente”.

Reforça que após várias tentativas, sem sucesso, que os jovens locais fizeram para “concertar com o presidente e a sua equipa”, organizaram essa manifestação para “mostrar o descontentamento generalizado dos jovens”, de forma a “despertar a sociedade e chamá-la atenção para os problemas que se vive no município do Tarrafal”.

Segundo ele, é neste sentido que os jovens juntaram-se para sair às ruas, manifestando-se contra uma série de estado de coisas, no sentido de fazer os políticos entenderem que “as coisas não vão bem” e que a população não está “contente”, exemplificando que Tarrafal tem falta de formação profissional para os jovens, falta de emprego e jovens sem nenhuma perspectiva, por falta de oportunidade e de projectos voltados para a juventude, “uma autêntica exclusão”.

“No Tarrafal, existe uma política de exclusão, onde existem pessoas que vêm de fora, a ser tratadas com toda as regalias, com oportunidades de executar os seus projectos, enquanto para nós do município não há oportunidades, um autêntico campo de concentração”, disse.

No entender do porta-voz dos revoltosos, esta manifestação é para continuar, caso o presidente da Câmara Municipal do Tarrafal, José Pedro Soares, não sair às ruas para os atender.

“Se não tomarem nenhuma medida adequada para entrar na linha de história, novamente vamos correr com eles, porque nós os jovens acreditamos que quando lutamos todos os jovens contribuem para o desenvolvimento da nossa terra”, salientou, acrescentando que essa manifestação é um dever dos jovens do Tarrafal, visto que estão num “país democrático” e, que, por isso, “usufruem de liberdade política e direito de ter uma vida socioeconómica digna”.

Denunciou ainda que o primeiro-ministro está a ser “cúmplice” com o que está a passar no Tarrafal, porque, ajuntou, “na visita feita ao concelho, não ouviu os jovens para se inteirar da real situação do município”.

CL/JMV

Inforpress/Fim