Sociedade cabo-verdiana está preparada para ter uma mulher candidata a Presidente da República – primeira-dama

Cidade da Praia, 09 Fev (Inforpress) – A primeira-dama afirmou hoje que a sociedade cabo-verdiana está preparada para ser liderada por uma mulher Presidente da República, mas que faltam dinâmicas que impulsionem essa possibilidade, apelando a uma maior participação das mulheres na vida política.

Lígia Fonseca fez estas declarações à imprensa, à margem da ‘conversa aberta’ sobre a “participação das mulheres na vida política”, um evento dirigido às mulheres nacionais e estrangeiras, promovido pela Associação “Kabas di Terra”, na Igreja do Nazareno, no bairro de Alto da Glória, Cidade da Praia.

Questionada se tem havido acções que promovam um maior impulsionamento e participação das mulheres na vida política, Lígia Fonseca disse que tem havido vários espaços de discussão e debate sobre as várias questões ligadas à participação da mulher na sociedade, lembrando sobre a discussão da Lei da Paridade em Cabo Verde.

“Não tenho dúvida alguma que a sociedade cabo-verdiana está preparada para aprovação da lei da paridade (…) já tivemos no Governo, podemos ter mulheres presidentes nos parlamentos municipais, nacionais, podemos ter uma candidata a Presidente da República, o povo está preparado para isso, falta é a dinâmica que impulsione que isto venha a acontecer”, realçou.

Lígia Fonseca salientou a importância da aprovação dessa lei frisando, entretanto, que a mesma fará sentido se os destinatários, neste caso as mulheres, participarem porque sustentou, “não vale a pena ter uma lei que diz que tem que ter a participação igualitária de homens e mulheres nos processos eleitorais se as mulheres não estiverem sensibilizadas, realmente, para isso”.

No seu entender, essa lei tem que ir de encontro à uma vontade e que as mulheres têm que sentir confortadas, apoiadas e, acima de tudo, têm que ser formadas e informadas para poderem participar nos momentos que são chamadas a intervir, participando nos processos eleitorais.

A primeira-dama defendeu, no entanto, que as mulheres devem participar activamente nas suas comunidades e cidades onde residem.

“Quando as mulheres verem outras participarem, estamos a ser exemplos para as mais jovens. As mulheres são chamadas a opinar e isto é uma bola de neve que vai nos levar para aquilo que nós queremos: homens e mulheres a participarem de igual forma na construção das melhores soluções para o desenvolvimento do país”, disse, referenciando, por outro lado, que o encontro integra-se no âmbito das comemorações da mulher guineense, celebrado no dia 30 de Janeiro, data em que foi assassinada Titina Silá.

Abordando o tema da palestra “Participação das mulheres na vida política”, a primeira-dama apelou a uma maior participação das mulheres estrangeiras residentes em Cabo Verde nas questões que afectam seu concelho e nos processos eleitorais autárquicos visando contribuir na construção de melhores soluções para o desenvolvimento do país.

Conforme avançou, tendo em conta que a Guiné-Bissau está a preparar-se para as eleições em Março, e, estando vários países da sub-região em processos eleitorais durante este período e Cabo Verde realiza no próximo ano as eleições autárquicas, esta iniciativa serve para despertar e sensibilizar nas mulheres a importância da participação na vida política.

CM/CP

Inforpress/Fim