São Vicente: Sindicato dos funcionários da Uni-CV ameaça entregar pré-aviso de greve em Março (c/áudio)

Mindelo, 08 Fev (Inforpress) – O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP), que representa os funcionários da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) ameaça entregar pré-aviso de greve, caso as reclamações não forem atendidas até final deste mês de Fevereiro.

Esta decisão, segundo o secretário permanente da SINTAP, Eduardo Fortes, foi tomada em consenso com os funcionários da universidade, docentes e não docentes, no Mindelo, mas terá abrangência nacional.

“Se até o fim deste mês de Fevereiro a situação se mantiver, no mês de Março vai ser entregue um pré-aviso de greve reclamando as promoções e progressões”, disse o responsável, que falava em conferência de imprensa na manhã desta sexta-feira, no Mindelo.

Estas duas reclamações, conforme Eduardo Fortes, ainda estão para serem resolvidas, apesar do acordo assinado esta semana, entre o Governo e a Uni-CV para o desbloqueio das reclassificações.

“Ficámos satisfeitos e congratulamos com esta medida, mas perguntamos como vai ficar a questão das progressões e das promoções”, disse o sindicalista, que quer ouvir “novidades” sobre esses dois aspectos, que os funcionários “nunca tiveram desde que a universidade é universidade”.

Os sindicatos, segundo a mesma fonte, há muito que discutem esta situação com a universidade, tanto que, em 2017 entregaram uma carta reivindicativa, constando a questão salarial, que não é revista desde 2009, o desbloqueio das carreiras profissionais e formação, regulamentação do sistema de avaliação, criação de condições de trabalho, entre outros.

“É muita coisa junta”, enfatizou.

Conforme realçou, deste processo de negociações chegou-se a entendimento, que em Janeiro de 2018 seria desbloqueado as reclassificações, que por sinal poderá ser uma realidade a partir do acordo assinado esta semana entre o Governo e a Uni-CV.

Entretanto, desde que se sentaram à mesa, a direcção da universidade tem-lhes dito das dificuldades em responder as responsabilidades para com os seus colaboradores devido a dívidas de propinas de alunos e das câmaras municipais e ainda e pelo facto de o Governo ter diminuído, ao longo dos anos, a contrapartida orçamental.

“Mas perguntámos se serão os funcionários, que vão ser as vítimas de toda esta situação? Eles é que vão pagar a factura de tudo isto?”, questionou, defendendo a ideia de que os trabalhadores devem ser “estimulados” e não somente exigir-lhes responsabilidades.

Esta falta de estímulo que foi confirmada pelo funcionário Manuel Fortes, também presente na conferência de imprensa, e que disse serem em São Vicente 10 colaboradores que têm mais de 30 anos de casa e até agora não tiveram qualquer progressão ou promoção.

Isto, segundo a mesma fonte, quando existem casos de pessoas, que entraram na universidade, muito tempo depois, e já tiveram esses direitos.

“Quer dizer, nós que estamos aqui há tanto tempo não temos essas progressões, mas uns que entraram ontem e há poucos dias já têm”, concretizou.

LN/FP

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