São Vicente: Sindicato afirma que greve nos Correios tem adesão de 98% dos trabalhadores

Mindelo, 20 Dez (Inforpress) – O sindicato que apoia a greve dos trabalhadores dos Correios de Cabo Verde (CCV), em São Vicente, Simetec, considerou hoje que a adesão “ronda os 98 por cento (%)” com os três balcões de atendimento encerrados na ilha.

Serão dois dias de greve, com uma única reivindicação, os 60% de subsídio de Natal atribuído, quando os trabalhadores exigem 100%.

“Estamos nesta luta, porque se tratava de um direito adquirido pelos trabalhadores, e, caso a administração da empresa não dê uma resposta positiva, vamos traçar novos rumos na luta, com novas reivindicações, lançou Antão Pio, do Simetec.

Os trabalhadores, por seu lado, dizem que “mais do que valor monetário”, o descontentamento prende-se com a “total ausência de diálogo” da direcção da empresa que “decidiu, sem ouvir sindicatos ou trabalhadores”.

“Lutamos pelo respeito e pela dignidade que julgamos merecer da administração que, arbitrariamente, mexeu num direito adquirido pelos trabalhadores”, referiu o representante dos funcionários da CCV, empresa que, em São Vicente, emprega 18 pessoas no quadro efectivo, para além de três contratados e dois estagiários.

Quem não está “nada satisfeito” com a greve são as pessoas da terceira idade que na manhã de hoje, bem cedo, se deslocaram aos balcões do CCV, no Mindelo, para receber a pensão mensal, e que, devido à greve, regressaram à casa de “mãos a abanar”.

“Entendemos a luta dos trabalhadores, mas deviam ver a nossa situação, eu por exemplo vim procurar aquele pouco para comprar um quilograma de arroz, mas agora é aguentar sem comer”, lançou a pensionista Teresa, à Inforpress.

Mais angustiada ficou quando soube que a greve é de dois dias, a seguir vem o fim de semana, a prevista tolerância de ponto de 24 e o feriado do dia 25, pelo que pensão só na quarta-feira, 26.

“A pensão é coisa pouca, mas deixa falta, sobretudo nesta época do Natal, mas enfim, não posso fazer nada”, lamentou a mesma fonte.

Contudo, o representante do Simetec, dirigindo-se aos utentes que “vão sofre constrangimentos” com a greve, pediu “desculpas e entendimento”, porque se trata, ajuntou, de uma forma “justa de reivindicação” para que os trabalhadores possam ver os seus direitos salvaguardados.

AA/ZS

Inforpress/Fim