São Vicente: Mais de 20 toneladas de lixo recolhidas na Praia dos Achados – Biosfera (c/áudio)

Mindelo, 14 Mar (Inforpress) – A campanha de limpeza realizada na Praia dos Achados, em Santa Luzia, movimentou mais de 20 toneladas de lixo, mas que “infelizmente” menos de dez por cento (%) conseguiram ser transportados para a lixeira em São Vicente.

Estes dados que foram avançados à Inforpress pelo presidente da associação ambiental promotora da iniciativa Biosfera 1, à chegada da equipa no Porto Grande do Mindelo, no início da tarde desta quinta-feira, para desembarque do lixo, transportado pelo navio Sea Shepherd, de 52 metros de comprimento e transladado à lixeira municipal no Mindelo.

Nesta “árdua tarefa”, segundo Tommy Melo, tiveram no total o apoio de 30 voluntários, da Biosfera, da Universidade Lusófona de Cabo Verde, da Universidade do Mindelo, da Direcção Nacional do Ambiente e Global Sea Shepherd, que estiveram “bastante empenhados” e com “resultados incríveis”.

“Movimentamos mais de 20 toneladas de lixo, mais de 90 por cento (%) de origem de pesca, que têm efeitos bastante nocivos para o meio ambiente, nomeadamente para as tartarugas marinhas, estando numa zona de nidificação”, disse adiantando que todo este entulho foi recolhido em três dias, somente numa “pequena extensão” de 400 metros na Praia dos Achados, que chega a três quilómetros.

“Mas ainda assim ficámos muito satisfeito, porque escolhemos uma zona de mais importância, onde as tartarugas gostam muito de sair e que poderão ter muito mais hipótese de conseguir reproduzir nesta época de 2019”, assegurou.

Entretanto, apenas conseguiram trazer para a lixeira de São Vicente, menos de dez por cento deste lixo, que, segundo a mesma fonte, é um resíduo identificável, e que sabem ser utilizado pela Mauritânia e pelo Senegal para pesca do polvo.

“Nós quisemos trazer este lixo para tentar identificá-lo melhor e desenvolver um trabalho com os governantes desses países para tentar no futuro encontrar algum tipo de solução, alguma parceria”, reforçou.

Mas, por cá, as autoridades nacionais consideram “muito útil” a parceria com a Biosfera, segundo o delegado do Ministério do Ambiente, Vitorino Silva, que esteve na recepção à equipa no Porto Grande.

“O ministério está sempre ao lado e queremos neste particular agradecer o trabalho que a Biosfera vem fazendo, mas também a sociedade civil que têm estado empenhada neste trabalho em prol da conservação e da preservação em Santa Luzia”, considerou este responsável, para quem a cooperação é para se continuar, tanto com campanhas e outras acções nesta reserva natural.

Quanto ao restante lixo recolhido, conforme Tommy Melo, foi amontoado e reservado na própria praia e agora esperam que surta efeito o apelo às autoridades e países internacionais, feito através da televisão portuguesa TVI, que esteve a acompanhar os trabalhos.

“Não tirar esse lixo é como que se estivéssemos a varrer para debaixo de um tapete de uma casa e portanto este tem que sair”, advogou o activista, que aponta exemplo da União Europeia e mesmo do Governo dos Estados Unidos da América, que poderiam ceder um helicóptero para este transporte a São Vicente.

Por agora apostam no “efeito imediato” desta campanha de limpeza, que só servirá para este ano, uma vez que a Praia dos Achados, situado a nordeste de Santa Luzia, recebe “muito lixo” todos os anos.

Nestes detritos supostamente descartados em alto mar e transportadas pelas correntes marítimas se podem identificar diferentes proveniências de mais de 15 países, designadamente Portugal, Colômbia, Filipinas, Uruguai, Gana, Tailândia, Reino Unido, Malásia, Uzbequistão, Estados Unidos, Grécia, Marrocos, França, Africa do Sul, etc.

LN/FP

Inforpress/Fim