São Vicente: Cabo Verde poderá receber projecto-piloto de investigação no mar “sem necessidade” de recorrer a embarcações

Mindelo, 24 Jan (Inforpress) – Cabo Verde poderá ser um dos países a receber do projecto-piloto de nova tecnologia que permite fazer investigação no mar, sem recurso a embarcações, avançou hoje o coordenador científico do Centro Oceanográfico do Mindelo.

Em declarações à imprensa, Vito Ramos explicou que se trata de uma das “mais importantes “ resoluções saídas da 20ª Reunião Anual da Parceria para Observação Global dos Oceanos (POGO, na sigla em inglês) e encontros paralelos, que decorre desde terça-feira, 22), e que termina hoje no Centro Oceanográfico do Mindelo.

A possibilidade, segundo a mesma fonte, foi objecto de discussão neste encontro, e agora Cabo Verde poderá vir a ter acesso à uma tecnologia portátil, que está a ser desenvolvida, e que permitirá fazer as observações “sem a necessidade” de se colocar um barco no mar.

“Porque a investigação no mar não é igual que a de terra e colocar um simples barco são milhares de euros por hora e por dia”, assegurou, adiantando ser “um dos grandes resultados” desta reunião que, possivelmente, vai abarcar Cabo Verde e outros países aventados como Bangladesh e Tunísia.

Vito Ramos considerou ser esta apenas uma das vantagens de receber esta reunião da POGO, vista como o “ maior consórcio” de investigação marinha no mundo inteiro e que Cabo Verde integrou recentemente, tornando-se no “único” país africano membro da instituição.

“Para nós, foi muito importante poder receber esta reunião anual que traz consultores de todas as partes do mundos, em que podemos saber das experiências de instituições com maior expertise em termos de tecnologia e instrumentação”, garantiu este responsável do Centro Oceanográfico, que foi palco deste encontro de cerca de 90 participantes, com mais de 70 vindos do exterior.

Além da partilha de experiência, é de destacar, ajuntou, o facto de se conseguir delinear projectos em conjunto com outros países e ainda ter acesso às suas bases de dados, como também a parte de capacitação.

“É todo um conjunto de coisas, que nós, como sendo países menos fortes em termos de tecnologias e expertises, acabamos por ganhar dentro desta rede”, destacou.

Estes mesmos países, segundo a mesma fonte, são o foco da Declaração de Cabo Verde, que vai “atacar” prioritariamente as necessidades dos países menos desenvolvidos e com menos recursos técnicos e financeiros para a questão da observação oceânica e costeira.

“A filosofia deste consórcio é ver de forma equiparada as necessidades de cada um dos membros e nós que somos do terceiro mundo, claro que temos mais necessidades que os países desenvolvidos”, afirmou.

Uma perspectiva também sustentada pelo chairman da POGO, Nick Owens, que defendeu ainda ser a localização geográfica um dos maiores atractivos de Cabo Verde, assim como a sua riqueza de vida marinha.

Desde 1999, a POGO tem servido como um fórum para líderes de “importantes instituições oceanográficas” em todo o mundo para promover a oceanografia global, particularmente a implementação de sistemas internacionais e integrados de observação oceânica global.

A POGO tem ainda uma rede internacional de colaboradores que fomenta parcerias para promover “a eficiência e eficácia” no estudo e monitoramento dos oceanos do mundo em escala global.

Através dos esforços da POGO, a instituição promoveu observações que sustentaram a ciência do oceano e do clima, interpretou os resultados científicos para os tomadores de decisão, forneceu treinamento e transferência de tecnologia para economias emergentes e “consciencializou sobre os muitos desafios que ainda estão por vir”.

LN/JMV

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