Santiago Norte: Deputados do PAICV preocupados com a falta de “fiscalização permanente” na produção de aguardente de cana

Calheta, 09 Fev (Inforpress) – Os deputados do PAICV (Oposição) defenderam sexta-feira não ser aceitável deixar os agricultores produzirem cana-de-açúcar durante um ano para a produção de aguardente e vir depois “deitar fora” o produto, por falta de uma “fiscalização sistemática”.

A constatação dos deputados eleitos nas listas do PAICV para o círculo de Santiago Norte foi feita durante a visita que os parlamentares realizaram ao município de São Miguel, com o objectivo de contactar os sectores da Educação, Agricultura e produção de aguardente.

De acordo com o porta-voz do grupo, José Sanches, há a necessidade de fazer uma fiscalização permanente na produção da aguardente, ou seja, defende que todos os concelhos devem ter inspectores da Inspecção Geral das Actividades Económicas (IGAE) permanente no terreno para fiscalizar todo o processo de produção de aguardente.

Para o parlamentar, não é aceitável deixar um agricultor produzir cana durante um ano, depois fazer o aguardente e posteriormente para ser deitado fora, defendendo uma “fiscalização sistemática” de todo o processo de fabrico do grogue.

“Portanto, é preciso ver a lacuna da lei onde está, para melhorar, porque os agricultores relataram que estão empenhados sim, mas querem fiscalização sistemática na produção de aguardente e, automaticamente, na venda e comercialização”, frisou.

Segundo José Sanches, os produtores de aguardente queixam-se de que existem vinhos no mercado com vários preços e que, por isso, é possível também ter aguardente com vários preços, acreditando que a certificação e fiscalização da comercialização acrescentam um maior ganho, na medida em que o produto será de melhor qualidade para os consumidores e, consequentemente, o ganho será maior.

O parlamentar declarou que em nenhuma circunstância defende o consumo abusivo do álcool, mas condena a falta de fiscalização sistemática, culpabilizando assim a IGAE de chegar só depois da fase final, não dando assim aos produtores outra alternativa.

“A este propósito, devo dizer produção de aguardente é a fonte de rendimento das famílias, que não deve ser confundida com saúde pública, que são duas coisa diferentes, fonte de rendimento via produção de aguardente deve ter fiscalização permanente”, disse.

Realçou, no entanto, a preocupação que deve haver com a saúde pública, enfatizando que aguardente de qualidade, a nível nacional, deve ser uma preocupação de todos e que “boa” parte de produtores estão a preocupar-se com a produção de aguardente, visto que este produto é uma fonte de rendimento para muitas famílias em São Miguel e Santiago Norte.

O parlamentar destacou, por outro lado, que na visita ao sector de educação, para ver o impacto de mau ano agrícola na questão de aproveitamento e abandono escolar no concelho, constataram um resultado “satisfeito”, mas indicou que há ainda desafios a vencer, nomeadamente a resolução das questões referentes a propinas e transporte escolar para São Miguel

CL/JMV

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