Presidente do IEFP desmente sindicato e nega que haja grupo de trabalhadores a ameaçar fazer greve (c/áudio)

Cidade da Praia, 17 Fev (Inforpress) – O presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), Paulo Santos, confirmou que neste momento “não há nenhum grupo de trabalhadores a ameaçar fazer greve” na instituição que dirige.

“Os sindicatos não estão a ser sérios, porque temos que respeitar o princípio do acordo” afirmou o presidente do IEFP, em declarações  à imprensa, esclarecendo que em meados de Janeiro os responsáveis sindicais anunciaram um pré-aviso de greve e na sequência do qual  se deslocou à ilha do Sal para o diálogo, tendo os sindicalistas indicado um “conjunto de pontos que já vêm de há vários anos”, nomeadamente que fossem pagos os oito por cento de previdência social que, em 2012, tinham sido retirados aos trabalhadores.

Paulo Santos explica que, neste momento, não pode arcar com este custo porque responde pelo Tribunal de Contas.

“O que podemos pagar são os 15 por cento, que é da responsabilidade da entidade patronal”, adiantou o PCA do IEFP.

Em relação ao Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), revelou que se chegou a um acordo com os sindicatos, estando, neste momento, os responsáveis do IEFP a trabalhar no projecto da grelha salarial em relação ao qual já se realizaram algumas acções de socialização com os trabalhadores.

Reconhece que não consegue resolver todos os problemas do IEFP, uma instituição, prossegue, “que existe desde 1994”, pelo que os sindicatos “não podem exigir que tudo seja resolvido num passo de mágica”.

Segundo ele, muitos trabalhadores ingressaram no IEPF por via do contrato de prestação de serviço e não pelo processo do concurso público.

Relativamente à implementação do PCCS em 2019, garante não ser possível e, conforme esclarece, para que tal aconteça seria necessário haver “cabimentação orçamental”.

O dirigente do Instituto do Emprego e Formação Profissional descarta a hipótese de qualquer melhoria salarial este ano na instituição, porque, segundo suas palavras, o documento respeitante ao salário terá que ser aprovado em sede do Conselho de Ministros e, só depois, é promulgado pelo Presidente da República e remetido à Imprensa Nacional para publicação no Boletim Oficial, a fim de “entrar em vigor no ano de 2020”.

Deixou transparecer o seu interesse, enquanto gestor do IEPF, em dispor de “ferramentas tipo PCCS”, para poder fazer avaliação do desempenho.

“Sem esses instrumentos não consigo implementar o modelo de gestão voltado para resultados”, lamenta Paulo Santos.

Defende que os que trabalham no IEFP devem ter “condições iguais” aos demais instituto públicos.

Na sua perspectiva, esta “guerra” é mais dos sindicatos do que dos trabalhadores.

“Os sindicatos que estão a reivindicar representam só Sal e São Vicente, ou seja, não têm representatividade nacional”, precisou, acrescentando que com toda “humildade” se sentou à mesa com essas organizações sindicais para lhes explicar todo o processo em curso.

“Já assumimos o compromisso que vamos resolver os problemas”, manifestou Santos, pedindo aos sindicatos que deixem de fazer pressão, porque “não vale a pena”.

Por sua vez, em declarações à Inforpress, o secretário permanente do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP), Eduardo Fortes, garante que os trabalhadores do IEFP não aceitam a proposta da referida instituição que quer implementar o PCCS somente em 2020.

Em termos de negociações, adiantou que não se registou nenhum avanço nos últimos dias, indicando que o SINTAP sugeriu levar as propostas do IEFP aos trabalhadores e que depois de as analisarem, a associação sindical estará disponível para se sentar à mesa de negociações para se chegar a um entendimento.

“Não há nenhum entendimento, as negociações não foram concluídas. Neste sentido, dissemos à administração do IEFP que tem até 21 de Fevereiro, para apresentar a sua proposta e que já no próximo dia 28 vamos discutir o assunto”, adiantou, realçando, entretanto, que a adesão dos trabalhadores à greve irá depender do desenrolar do processo.

LC/FP

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