Presidente da Guiné-Bissau nega ter convidado Jorge Carlos Fonseca a visitar o seu país

Cidade da Praia, 15 Mar (Inforpress) – O Presidente da Guiné-Bissau nega ter convidado Jorge Carlos Fonseca a visitar o seu país e que foi uma “fonte diplomática”, que não quis identificar, que o informou sobre a deslocação a Bissau do seu homólogo cabo-verdiano.

“Eu preparei, o meu Gabinete poderá confirmar, até à última hora e continuei convencido que iria receber a visita do meu irmão de Cabo Verde”, disse José Mário Vaz numa entrevista à RTP-África nas vésperas das eleições legislativas realizadas a 10 de Março que deram vitória ao Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Segundo o chefe de Estado guineense, o seu país vive uma situação de “paz civil e tranquilidade interna”, pelo que não haveria nenhum problema caso Jorge Carlos Fonseca visitasse a Guiné-Bissau.

“Mas quem ia atrever-se a dizer algo ou fazer mal ao Presidente Fonseca?, questionou José Mário Vaz, acrescentando que estavam “preparadas as condições logísticas, de defesa e segurança” para receber o chefe de Estado cabo-verdiano.

Para José Mário Vaz, a Guiné-Bissau está sempre de “braços abertos” para receber a qualquer momento Jorge Carlos Fonseca, que, de acordo com as suas palavras, tem “as razões e os fundamentos que fizeram com que a vinda dele à Guiné-Bissau fosse protelada”.

Perguntado por que razão durante o seu mandado nenhum chefe de Estado visitou oficialmente a Guiné-Bissau, afirmou que a política externa do seu país “não está a ser eficaz”.

Entretanto, na sequência do anúncio avançado em Bissau sobre a visita de Jorge Carlos Fonseca, a opinião pública guineense começou a dividir, de um lado com apoiantes da ideia, enquanto outros achavam que, se a mesma ocorresse naquele momento eleitoral poderia afectar futuras relações entre os dois países.

O Presidente da República, enquanto presidente em exercício da CPLP, acabou por não se deslocar àquele país durante o período eleitoral para as legislativas e justificou a sua decisão, por “não ser o momento adequado e por falta de consenso”.

“Sempre disse que numa altura dessas e nesse contexto de alguma complexidade, para quem conhece o percurso político da Guiné-Bissau nos últimos tempos, só teria sentido essa visita neste momento caso todos os protagonistas políticos entendessem que a presença do Presidente em exercício da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) contribuísse para ajudar o processo eleitoral com a melhor justeza e transparência possível”, explicou.

Disse que deixaria esta visita para um momento exterior, acrescentando que “esta avaliação foi feita antes”, mas que reconfirmou a justeza da sua decisão depois de ter recebido o presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira.

O chefe de Estado afirmou que nesta sua pretensão de ir a Guiné-Bissau, na qualidade de presidente em exercício da CPLP, teve de fazer consultas internas e externas.

A deslocação de Jorge Carlos Fonseca a Bissau chegou a ser anunciada pela Presidência da República desse país e devia acontecer de 12 a 14 de Fevereiro, mas o Gabinete do chefe de Estado cabo-verdiano nunca confirmou esta visita.

LC/FP

Inforpress/Fim