Plataforma das ONG considera modelo de desenvolvimento inclusivo um dos grandes desafios para Cabo Verde

Espargos, 09 Nov (Inforpress) – A secretária executiva da Plataforma das ONG, Dirce Varela considerou hoje, na ilha do Sal, que o modelo de desenvolvimento inclusivo é um dos grandes desafios para Cabo Verde, já que se trata de um país muito desigual.

Dirce Varela fez essas considerações quando intervinha no fórum sob o lema “O Papel da Sociedade Civil no Desenvolvimento da Ilha do Sal”, enquadrado nas comemorações do 22º aniversário da Associação Chã de Matias (ACM), cuja abertura deveria ser presidida pelo edil Júlio Lopes.

Acontece, entretanto, que o autarca não compareceu e fez as pessoas esperar por cerca de uma hora, sem nenhuma explicação, situação que desagradou os presentes, considerando ser uma “falta de respeito” para com os parceiros da sociedade civil.

Dando continuidade aos trabalhos, a representante da Plataforma das ONG que discorreu   sobre o papel da sociedade civil no processo do desenvolvimento local, disse que o principal desafio do modelo de desenvolvimento inclusivo é a visão que se tem daquilo que é a cidadania.

“O modelo de desenvolvimento inclusivo não é um desafio fácil para um país como Cabo Verde.  Mas o desafio do desenvolvimento inclusivo, não é económico. O seu principal desafio é a visão que se tem daquilo que é a cidadania e daquilo que é a participação do cidadão na vida política do seu país”, sublinhou.

Neste mesmo contexto, Dirce Varela sublinhou, por outro lado, que é “muito complicado” pensar numa economia inclusiva dentro de uma economia de mercado, do egoísmo, de acumulação de bens, de grandes desigualdades sociais, entre outros aspectos.

“Cabo Verde é ainda um país economicamente, socialmente, culturalmente e territorialmente desigual. E, o Estado reconhece que não consegue responder a todas as demandas sociais de Cabo Verde e que precisa da sociedade civil”, referiu.

A actividade que teve início às 10:00, e concluído com um almoço no espaço da referida associação comunitária, teve como propósito promover o diálogo sobre a importância das Organizações da Sociedade Civil (OSC), no contexto do desenvolvimento.

Esse dia de trabalho permitiu, também, desenvolver temas como a “Lei do Associativismo em Cabo Verde” e a “A Intervenção Social das Organizações da Sociedade Civil”.

Arminda Lopes faz balanço positivo de todo esse percurso da associação que dirige, que já realizou, conforme disse, actividades em quase toda a Ilha, com maior enfoque para a localidade de Chã de Matias e arredores, seguindo os princípios da igualdade, da valorização e promoção da pessoa humana.

Enunciando os vários projectos e programas desenvolvidos ao longo dos 22 anos de existência, a associativista, admitiu que tiveram êxito graças ao engajamento e à confiança dos parceiros locais, nacionais e internacionais, destacando a Cooperação Portuguesa, enquanto “maior financiador”.

“Esperamos que as recomendações daqui saídas contribuam para o reforço das relações e parcerias institucionais e sobretudo o melhoramento das nossas intervenções na redução das desigualdades sociais e a promoção do desenvolvimento sustentável”, enfatizou.

SC/FP

Inforpress/Fim