Pelo menos 860 jornalistas detidos ou executados no Irão desde 1979 – ONG

Paris, 07 Fev (Inforpress) – Pelo menos 860 jornalistas profissionais e não profissionais foram “detidos, presos ou executados” pelo regime do Irão desde que a República Islâmica foi proclamada, em 1979, até 2009, revelou hoje a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

A organização não-governamental internacional indicou que os dados integram um “registo oficial” da justiça iraniana.

Este “ficheiro inédito”, obtido através de uma fuga de informação, detalha “todas as detenções, prisões e execuções realizadas pelas autoridades iranianas durante dezenas de anos na região de Teerão”, precisou a RSF numa conferência de imprensa em Paris, na presença de Shirin Ebadi, advogada iraniana e prémio Nobel da Paz 2003.

“No total, o ficheiro DJI contém perto de 1,7 milhões de registos de procedimentos relativos a pessoas de todas as categorias da sociedade iraniana: homens e mulheres, menores, membros de minorias religiosas e étnicas, prisioneiros de delito comum e de opinião, entre os quais opositores políticos, mas também jornalistas”, adianta a ONG de defesa da liberdade de informação num comunicado.

Segundo a RSF, “o estatuto dos prisioneiros nunca é precisado” e a função de jornalista “não aparece em qualquer lugar do ficheiro”, o que permite “ao regime iraniano afirmar que nenhum jornalista e (…) nenhum preso de opinião está nas suas prisões”.

Trata-se de “uma mentira do Estado habilmente orquestrada para silenciar possíveis críticos”, indicou a organização.

Um “minucioso trabalho de investigação realizado durante meses” permite que a RSF possa afirmar que pelo menos 860 jornalistas, profissionais ou não, integram o registo oficial e “foram detidos, presos ou executados pelo regime iraniano entre 1979 e 2009”.

Entre eles, “pelo menos quatro jornalistas profissionais foram executados”: Ali Asgar Amirani, Said Soltanpur, Rahman Hatefi-Monfared e Simon Farzami, segundo a RSF.

Este último, “um irano-suíço, era editor do Jornal de Teerão, em língua francesa. Foi detido em Maio de 1980 e acusado de espiar para os Estados Unidos. Foi executado seis meses mais tarde na prisão de Evin com 70 anos, precisa o comunicado.

“Dezenas de outros prisioneiros de opinião – ‘bloggers’ ou activistas políticos que dirigiam meios de comunicação – também foram executados pelo regime”, segundo a RSF.

Lusa/fim