PCE da Caixa diz que o país está “bastante avançado” no sector da supervisão e inicia bem a literacia financeira (c/áudio)

Cidade da Praia, 08 Fev (Inforpress) – O presidente da Comissão Executiva (PCE) da Caixa, António Moreira, disse hoje que Cabo Verde está no início do processo em relação à literacia financeira e quanto à supervisão, o país está “bastante avançado”.

Segundo este gestor bancário, o Banco Central tem feito um “bom trabalho” no domínio da supervisão, tendo “reforçado os mecanismos e as normas”.

“As instituições bancárias também têm feito um esforço necessário para acompanharem as novas tendências de organização e funcionamento dos serviços, nomeadamente na vertente do controlo interno, identificação e gestão de riscos”, precisou António Moreira.

O presidente da Comissão Executiva da Caixa fez essas considerações à imprensa à margem da Conferência sobre Literacia Financeira e Supervisão Bancária, realizada hoje na Cidade da Praia, em que foi um dos oradores.

Na sua perspectiva, o sistema bancário cabo-verdiano é ainda “bastante tradicional”, em que, prossegue, os produtos e serviços ao publico são simples, mas do desconhecimento de uma boa parte da população.

“Há riscos associados (a serviços bancários) que importa alertar às pessoas para a existência desses riscos e os mecanismos de mitigação”, sugeriu Moreira, acrescentando que, recentemente, se assistiu à “utilização fraudulenta” do Internet Bank porque as pessoas “não usam adequadamente os códigos dos cartões”, tanto de débito como de crédito.

Instado sobre os desafios que se impõem aos bancos nacionais, indicou, citando os de carácter interno, que, de acordo com as suas palavras, têm a ver com a carteira de crédito resultante do efeito da crise, em que se regista um “nível bastante elevado”.

“Temos alguns activos que recebemos em pagamento, activos esses que vieram da crise imobiliária de 2008”, precisou António Moreira, adiantando que existem outros desafios que são externos, os quais têm a ver, designadamente, com os bancos correspondentes, os quais constituem um “desafio para os bancos e países pequenos”, como é o caso de Cabo Verde.

Para Moreira, a literacia financeira é “extremamente importante”, pois uma pessoa com o conhecimento dos mecanismos, produtos e serviços “têm a noção das cautelas que deve ter, quando, por exemplo, utilizam o cartão de pagamento”.

“É de extrema importância que a utilização dos códigos seja, de facto, estritamente pessoal, pelo que devem ser guardados em lugares seguros, para que mais ninguém, tenha acesso”, pontuou.

Instado sobre as consequências das falhas na supervisão bancária, afirmou que estas podem ter consequências, mas que a “falha maior é quando as administrações dos bancos falham”.

“A supervisão define as regras para serem cumpridas, mas os conselhos de administração dos bancos também têm a obrigação de fazer funcionar, respeitando as regras da supervisão e, também, da própria industria”, esclareceu, admitindo que as regras de concessão de crédito são as mesmas em todo o mundo e, por isso, o que se deve fazer é analisar os riscos dos créditos.

Segundo o PCE da Caixa, se os bancos derem o crédito de acordo com as boas regras, assegurando, à partida, que pode recuperar o dinheiro que vai emprestar, o trabalho da supervisão “fica facilitado”.

Perguntado se a crise financeira internacional de 2008 ficou a dever-se à falha de supervisão, António Moreira diz que, pessoalmente, não responsabiliza totalmente os supervisores, mas também os gestores que praticaram aqueles actos, uma vez que permitiram operações que fugiram ao “bom senso e à boa prática”, que são a “boa gestão e a boa analise de risco”.

LC/FP

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