Parlamento: Miguel Monteiro disse que os 29 anos do MpD ficaram marcados por “uma história rica”

Cidade da Praia, 14 Mar (Inforpress) –  O deputado e secretário-geral do Movimento para a Democracia (MPD, poder) destacou hoje o percurso do MPD, pelo aniversário da criação do partido, defendendo que os 29 anos do MpD ficaram marcados por “uma história rica”.

O político, que falava hoje no período de questões gerais no Parlamento, justificou essa riqueza com o facto de, além de ter combatido o regime de partido único, o MpD ter obtido duas maiorias qualificadas em eleições legislativas, tendo governado Cabo verde de 1991 a 2000, época que considerou ser de maior crescimento do país, e ainda de ter sido o partido predominante na governação dos municípios desde 1992, ano da instalação do poder local.

“Apoiou eleitoralmente dois dos três Presidentes da República eleitos em Cabo Verde. Tem já um legado que representa o essencial da matriz de Cabo Verde de hoje do qual podemos salientar a Constituição moderna e democrática de 1992, a instituição de símbolos nacionais da próprios e representatividade da idiossincrasia cabo-verdiana”, destacou realçando ainda que o seu partido trouxe uma nova concepção do homem “livre, autónomo, qualificado com emprego decente, empreendedor e inovador e solidário acima do Estado”.

Miguel Monteiro também elencou ainda como obra do MpD a consagração e o exercício dos direitos humanos e das liberdades civis, da liberdade de expressão, de imprensa, de reunião e de associação, da liberdade cultural, da liberdade sindical e do direito à greve. Lembrou ainda a instalação da democracia pluralista, política, económica social e cultural.

Entre outros feitos citou ainda a instauração do Estado de direito democrático e o acordo cambial celebrado com a União Europeia, o reconhecimento internacional e Cabo Verde “como farol da democracia em África” e a única presença como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.”

Em reacção, o líder da bancada do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PIACV, oposição), Rui Semedo felicitou o MpD por mais um aniversário, mas realçou que todos os partidos políticos “são muito importantes” na construção da democracia, na construção do país e na consolidação da instituição que é o Parlamento.

“Nos já fomos escolhidos algumas vezes, três vezes seguidas. O MpD já tinha sido escolhido antes de nós em regime concorrencial e pluralista, governou dez anos, fomos para a oposição durante dez anos. Governamos depois quando voltamos para o poder durante 15 anos, o MpD esteve na oposição durante 15 anos, nós agora estamos na oposição e a oposição não é doença”, frisou o deputado para quem a oposição também é um papel destinado às democracias modernas, pelo que o PAICV vai dar a sua contribuição porque sem oposição responsável não há democracia.

Por sua vez, o líder da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição), António Monteiro pediu a palavra, segundo disse, para “repor a verdade” sobre as declarações do deputado do MpD que afirmou que o seu partido foi o primeiro a contestar o PAIGC-CV.

 

“Isso é falso, isto não corresponde minimamente à verdade. O primeiro partido a contrapor os desmandos do então regime de partido único foi a UCID. E iniciou-se em Outubro de 1975 e oficialmente a 13 de Maio de 1978. E naquela altura muitos dos que fundaram o MpD estavam todos à mesa com o PAIGC- CV”, declarou António Monteiro.

CD/FP

Inforpress/Fim