“Os serviços de parto não têm taxas moderadoras em Cabo Verde”, garante a administração do Hospital Dr. Agostinho Neto

Cidade da Praia, 20 Nov. (Inforpress) – O presidente do conselho de administração do Hospital Dr. Agostinho Neto esclareceu hoje que os serviços de parto não têm taxas moderadoras em Cabo Verde e que esta quota só é cobrada nos serviços de internamentos e cirúrgicos

Júlio Andrade convocou a imprensa para desmentir alguns deputados sobre a alegada retenção do doente no serviço da maternidade e a questão do pagamento da taxa moderadora, afirmando que “a taxa moderadora é um processo que já vem desde 2007 e que vem sendo aplicada em todas as estruturas do Serviço Nacional de Saúde”, sem que haja nenhuma modificação da legislação.

Por isto, disse não compreender “algumas declarações, nomeadamente de deputados que põem em causa a legitimidade do conselho de administração” de cobrar a taxa moderadora, salientando mesmo que tem havido uma cooperação excelente da população em relação a esta taxa.

“Não tem havido no hospital nenhuma perturbação em relação ao pagamento da taxa moderadoras. As pessoas pagam as suas taxas de acordo com aquilo que está legislado”, assegura, esclarecendo que esta taxa é diferenciada de acordo com as classes sociais.

Clarificou que os doentes com pensão social pagam uma taxa social mínima, num tecto máximo de 1000$00, contradizendo assim os deputados que acusam o Hospital Dr Agostinho Neto de reter pacientes por falta de pagamento.

O responsável asseverou mesmo “ser um dever dos doentes pagar a taxa moderadora, mas que se recusarem não pagam”.

“O que nós fazemos, como regra, é fazer uma avaliação socioeconómica dos doentes e se provarem, não pagam, mas não podemos dar isenção porque a lei não permite. Se as pessoas não podem pagar, não pagam e são tratadas”, elucidou.

Quanto ao critério utilizado nas cobranças das taxas moderadoras pelos serviços de internamentos e cirúrgicas, Júlio Andrade assegurou que o doente paga pela ocupação do bloco um valor “mínimo de 2000$00, mesmo que um doente fique 30 dias no Hospital”.

Denunciou a existência de ataques sistemáticos contra o conselho de administração deste centro hospitalar, “com algumas práticas que não correspondam a verdade” e que não entende toda esta polémica “levantada sobre uma questão que já é consolidada”,

Andrade afirmou que a taxa moderadora não cobre sequer 10% dos custos do funcionamento das estruturas de saúde, pelo que diz esperar que “quer os deputados, quer os políticos tenham uma postura de pedagogia em relação à informação da população e não fazer demagogia barata que não conduz a resultado algum”.

Anunciou para 2019 benefícios provenientes da taxa moderadora, com investimentos em infra-estruturas, novos equipamentos na área de oncologia para fazer diagnóstico de câncer e renovação de todos os equipamentos de imagiologia e investimentos no espaço físico, aposta em equipamentos de cuidados intensivos e formação, para dar respostas mais eficaz à população.

O custo do funcionamento do hospital Dr Agostinho Neto, segundo Júlio Andrade, é de 1 milhão e 200 mil contos por ano e a taxa moderadora atinge o máximo de 120 mil contos.

SR/JMV

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