Ministro da Cultura diz que vai “cortar” maus hábitos instalados e dar oportunidades iguais para todos

 

Porto Novo, 20 Set (Inforpress) – O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC) disse hoje que tem “uma estratégia clara” no seu ministério, de “cortar” hábitos instalados durante anos e anos, que ligavam os financiamentos deste departamento governamental “sempre às mesmas pessoas”.

Abraão Vicente fez essas considerações em Santo Antão, onde conclui hoje uma visita de três dias – a primeira na qualidade de governante -, tendo privilegiado encontros com os agentes culturais desta ilha para explicar os mecanismos de financiamento de projectos por parte do ministério que dirige, tendo realçado que agora “tudo tem sido feito com a maior transparência possível”.

“Durante anos e mais anos, foram as mesmas pessoas, os mesmos grupos a receberem os apoios do Ministério da Cultura (…) havia quase uma máfia no MCIC em que todos os convites para eventos internacionais eram canalizados a dois ou três produtores”, afirmou o governante, indicando que “está a cortar esses privilégios”.

“Neste momento, temos uma estratégia muito clara de apostar nos jovens menos consagrados, mas com muito talento. Trata-se de jovens que não tinham a visibilidade porque havia quase uma máfia no MCIC em que os convites eram canalizados sempre para dois ou três produtores”, sublinhou Abraão Vicente, exemplificando casos de jovens músicos talentosos, que actualmente têm representado “com um nível de excelência”, a música cabo-verdiana em palcos internacionais.

Outra situação com a qual o titular da pasta da Cultura quer romper, segundo disse, é a ideia que havia de que o MCIC funcionava com uma “caixa nº 2” para financiamento de projectos privados.

“O MCIC não pode funcionar como banco ou a caixa nº2 para financiamento de projectos privados”, disse Abraão Vicente, defendendo sim “um forte investimento na política cultural pública”.

“A partir do momento em que não temos nenhuma infraestrutura para receber os nossos artistas em situações de dignidade, como acontece com o Centro Cultural do Mindelo, que “há anos não recebe sequer uma lâmpada”, não se pode “desviar o dinheiro dos contribuintes” para projectos primados, sentenciou o ministro.

Conforme explicou, é neste âmbito que surge o investimento de 45 mil contos na recuperação do Centro Nacional de Artesanato e na criação de um novo projecto museológico, ambos no Mindelo, tendo anunciado ainda a criação de um museu de raiz na Cidade da Praia.

A nível dos municípios, o MCIC vai fazer também “um investimento de fundo” na recuperação e dinamização dos espaços culturais públicos para servir toda a comunidade de artistas locais.

JM/FP

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