Ministra “desvaloriza” afirmação da APC quanto a não inserção da ideologia do género no currículo escolar (c/áudio)

Cidade da Praia, 21 Fev (Inforpress) – A ministra da Educação “desvalorizou” hoje a declaração da Associação dos Professores Católicos de Cabo Verde (APC) quanto à não inserção da ideologia do género no currículo escolar que, segundo a associação, deveria ser ensinada em casa pelos familiares.

Maritza Rosabal fez essa leitura em declarações à Inforpress quando convidada a comentar as declarações feitas pela APC, no decorrer do IV Fórum Internacional sobre “Educação e desafios antropológicos em Cabo Verde”, que decorreu na Praia, nos dias 16 e 17.

“Trata-se de uma associação e nós temos imensas associações aqui. A questão que nos interessa, já que neste país há uma separação entre o Estado e a Igreja, e, sobretudo, porque o nosso país como Nação independente reafirmou-se internamente pelas medidas que tem tomado para promover a igualdade de género”, disse.

Cabo Verde, segundo a governante, foi um dos primeiros 22 países a aderir à convenção para eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher.

A titular da pasta da Educação sublinhou que existem outras questões que merecem ser trabalhadas no que tange à transmissão de conhecimentos para que as pessoas entendam melhor o que está sendo feito e o que foi trabalhado no sentido de “transversalizar” a abordagem do género, ou seja, promover a igualdade entre homens e mulheres.

“Isso é uma conquista civilizacional no mundo e aqui em Cabo Verde tem tido contornos muito bons e particulares. Respeito a família por ela ser o centro da acção de toda a acção social e acreditamos que ela está em condições de cumprir a sua função que é cuidar dos seus membros”, afirma.

Para Maritza Rosabal, quando numa sala de aulas se encontra um cartaz que diz “o pai dá a papa” está-se a constatar uma forma de promover a igualdade de género e “tranversalizar” a abordagem do género entre homens e mulheres.

O presidente da APC-CV do núcleo da Praia, Ricardino Rocha, ao falar sobre o assunto disse que a ideologia do género propõe a desconstrução de que não existe homem e nem a mulher quando para se ter uma família é preciso se ter um homem e uma mulher.

Sublinhou ainda que a família é uma verdade natural que não se pode subverter e reafirmou, na altura, o seu apoio à ideia de que a ideologia do género não deve ser ensinada na escola, mas sim que deve ser da responsabilidade das famílias.

PC/JMV

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