Ministério Público brasileiro diz que Vale conhecia risco em barragem de Brumadinho desde Outubro

São Paulo, Brasil, 12 Fev (Inforpress) – O Ministério Público de Minas Gerais sustenta que a mineradora brasileira Vale conhecia o risco de ruptura da barragem em Brumadinho desde Outubro de 2018, cujo acidente em Janeiro já causou pelos menos 165 mortos e 155 desaparecidos.

De acordo com uma ordem judicial de uma das acções movidas contra a Vale, tornada pública na segunda-feira,brumadinho  o Ministério Público apresentou “documentos que mostram que, em Outubro de 2018”, a empresa sabia que dez barragens, de um total de 57, estavam em risco, incluindo a da cidade brasileira de Brumadinho.

“Os documentos recolhidos pela acusação” mostram que “em Outubro 2018 já havia sido constatado” pela Vale “o grau de risco de ruptura” dessas barragens, segundo o magistrado Sérgio Henrique Cordeiro que salienta o facto daquelas estruturas terem sido, contudo, indicadas como seguras pela empresa.

Também na segunda-feira, a Agência Nacional de Mineração do Brasil (ANM) informou que as empresas mineiras terão de realizar inspecções diárias em barragens de resíduos idênticas à de Brumadinho.

Na sua página na internet, a ANM adiantou que as empresas que não cumpram as inspeções diárias poderão ser multadas e até terem a barragem interditada.

A barragem que colapsou em Brumadinho, no estado brasileiro de Minas Gerais, foi feita através do método de alteamento a montante, no qual se constroem degraus com os próprios resíduos, sendo o método mais simples e também o menos seguro.

Essa foi também a técnica de construção usada na barragem da empresa Samarco, que rebentou em 2015, na cidade de Mariana, igualmente no estado de Minas Gerais, onde, aliás, se encontra a maior concentração deste tipo de estruturas.

O desastre em Brumadinho ocorreu a 25 de janeiro, quando uma das barragens nas quais a empresa mineira Vale armazenava resíduos rebentou, provocando uma avalanche de lama que soterrou as instalações da própria empresa e centenas de propriedades rurais.

Inforpress/Lusa

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