Migrações: 11 mortos, 19 desaparecidos e 30 resgatados em naufrágio ao largo de Marrocos

Rabat, 02 Out (Inforpress) – Pelo menos 11 migrantes morreram e 19 estão desaparecidos na sequência do naufrágio de uma embarcação na tarde de segunda-feira no Mediterrâneo, informaram à agência noticiosa Efe fontes da segurança marroquina.

Os mesmos responsáveis referiam que 30 ocupantes da embarcação foram recuperados com vida esta manhã por um barco de pesca que se encontrava na zona do naufrágio, ao e que os transportou para o porto de Beni Ensar, em Nador.

Uma embarcação que transportava migrantes encontrava-se em “dificuldade” na segunda-feira ao largo de Nador, nordeste do reino, indicaram as autoridades locais em declarações à agência noticiosa France-Presse.

Os 11 corpos foram detectados por um navio da marinha real marroquina, que os transportou para a morgue do Hospital Hassani, em Nador.

Associações de ajuda aos migrantes referiram-se a um total de 34 mortos, um balanço que não foi
confirmado pelas fontes marroquinas.

Helena Maleno, uma militante espanhola para os direitos dos migrantes e fundadora da ONG “Caminhando Fronteiras” disse à Efe que os migrantes do batel naufragado eram todos provenientes da África ocidental, em particular do Mali, Guiné e Costa do Marfim.

Segundo Maleno, o primeiro sinal de alarme foi emitido desde a embarcação às cinco da madrugada de segunda-feira e a ONG emitiu de imediato um aviso, mas pelo facto de ninguém enviado auxílio acabou por se afundar 12 horas depois.

A activista assegura que se encontravam 64 pessoas no barco, e que 34 morreram no naufrágio, de acordo com os relatos de sobreviventes.

Fontes dos serviços de segurança marroquinos referiram que hoje foi impedida a saída de outra embarcação com 36 subsaarianos da aldeia costeira de Tazra, e que fugiram quando foram detectados. Um dos migrantes acabou por morrer ao cair num precipício.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), mais de 40.000 migrantes chegaram a Espanha desde o início de 2018, cerca de 35.000 por via marítima e perto de 5.000 por via terrestre, em direcção às cidades autónomas espanholas de Ceuta e Melilla, no norte de Marrocos.

O reino magrebino afirma ter impedido 54.000 tentativas de passagem em direcção à União Europeia e desmantelado “74 redes criminais de tráfico de seres humanos” desde o início de 2018, segundo os números oficiais.

No entanto, um relatório divulgado na sexta-feira pelo Grupo anti-racista de acompanhamento e de defesa dos estrangeiros e dos migrantes (Gadem), denuncia as operações de deslocações forçadas de migrantes subsaarianos efectuadas pelas forças de segurança marroquinas.

No decurso destas operações, “que decorrem regularmente” no norte do reino, cerca de 6.500 migrantes, incluindo 121 menores, 17 bebés e 12 mulheres grávidas, foram presos entre Julho e inícios de Setembro e deslocados à força, em autocarros, em direcção ao sul do país, indica o relatório desta ONG marroquina.

Lusa/Fim