Marcelo Rebelo de Sousa diz que reforço da defesa europeia “não passa por exército europeu”

Paris, 10 Nov (Inforpress) – O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, frisou hoje em Paris que o reforço da defesa da União Europeia (UE) é complementar à NATO, e não se traduz na criação de um exército europeu.

“Portugal entende que é importante um empenho crescente dos europeus em matéria de defesa e segurança, indissociável dos compromissos assumidos com os nossos aliados transatlânticos, nomeadamente os Estados Unidos da América e o Canadá”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, em resposta a uma pergunta sobre a polémica entre os presidentes de França, Emmanuel Macron, e dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Ficou claro no debate parlamentar [em Portugal] que não se trata de um exército europeu, trata-se, sim, de um reforço do empenho, e um empenho que é complementar daquele que é traduzido pela Aliança Atlântica dos europeus no cenário europeu e nos cenários vizinhos”, acrescentou, em declarações aos jornalistas portugueses à margem da visita à exposição “Portugal e a Grande Guerra”.

O Presidente frisou que esta é uma “matéria que já foi debatida no Parlamento português” e em que “há uma posição consensualmente aceite e apresentada a nível europeu”.

Questionado sobre se Portugal e a França têm posições diferentes, Marcelo recusou comentar o que diz o Presidente francês, insistindo: “Eu só estou a dizer qual é que é a posição portuguesa, a posição portuguesa é que não se trata de um exército europeu. Isso ficou claro no debate da Assembleia da República”.

O Parlamento aprovou, em Dezembro do ano passado, três resoluções, do PS, PSD e CDS, a recomendar a adesão de Portugal à cooperação estruturada permanente de defesa e segurança (PESCO, na sigla original), formalizada por Bruxelas a 11 de Dezembro de 2018, e explicitando a recusa de que este mecanismo evolua para a criação de um exército europeu.

A polémica entre Trump e Macron estalou na sexta-feira à noite, depois de o Presidente norte-americano, reagindo a declarações do homólogo francês à rádio Europa 1 defendendo a criação de um “exército europeu”, escrever uma mensagem na rede social Twitter, em que considerava a posição de Macron como “muito insultuosa” e alegava que a Europa queria proteger-se dos Estados Unidos.

Já hoje, Macron afirmou que o “exército europeu” que defende não tem como alvo os Estados Unidos e aludiu a uma “confusão” na interpretação que desencadeou a crítica de Donald Trump.

O presidente francês recebeu hoje de manhã Donald Trump no Palácio do Eliseu, em Paris, depois de se reunir com Ângela Merkel, em Rethondes, um encontro que teve um “significado simbólico” e que se realizou no âmbito das Cerimónias do Armistício da Primeira Grande Guerra.

Na entrevista à rádio Europe 1, Macron referiu-se às sucessivas ameaças à Europa, à intrusão no ciberespaço e à saída dos Estados Unidos do tratado de armas nucleares de médio alcance (INF) concluído durante a Guerra Fria.

Hoje, nas declarações aos jornalistas, Emmanuel Macron esclareceu que “nunca disse que era necessário criar um exército europeu contra os Estados Unidos”.

E prosseguiu: “Compreendo que a sequência de tópicos [da entrevista à rádio Europa 1] possa ter gerado alguma confusão. Mas são dois assuntos diferentes, o tratado INF e o tema de uma força de defesa europeia, no qual estou a trabalhar e está em andamento”, salientou o governante.

“A saída do tratado INF tem a ver com a segurança da Europa. E é por isso que a Europa deve [também] estar envolvida no diálogo sobre este assunto”, frisou.

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