Interior de Santiago: Presidente da Colmeia diz que grande parte dos problemas das pessoas com deficiência persiste (c/áudio)

Assomada, 09 Fev (Inforpress) – A presidente da Associação de Pais e Amigos de Crianças e Jovens com Necessidades Especiais (Colmeia) admitiu hoje que grande parte dos problemas das pessoas com deficiências e outras necessidades, sobretudo crianças no interior de Santiago, continua os mesmos.

Isabel Moniz fez esta afirmação em declarações hoje a Inforpress, à margem de um encontro que a associação promoveu com autoridades locais e governamentais com famílias de pessoas com deficiências e outras necessidades em Assomada, Santa Catarina, que objectivou auscultar os problemas que tem afligido este público-alvo.

Consultas de especialidades, principalmente a nível terapêutico, serviços de educação, saúde e atribuição de pensão social são as “preocupações e dificuldades” apontados pelas famílias das crianças com deficiência, que aliás, afirmou, continuam, tanto no interior de Santiago como noutras ilhas e concelhos, com excepção da Cidade da Praia e São Vicente.

Por outro lado, a Colmeia congratulou-se com a abertura mostrada pelo presidente da Câmara de Santa Catarina, José Alves Fernandes, e sua equipa de que, em parceria vão resolver estes problemas, que vão ser assumidos através de um protocolo a ser rubricado brevemente.

É que conforme considerou, tal abertura por parte da autarquia santa-catarinense é um “grande avanço” e, referindo-se concretamente à atribuição da pensão social, cuja câmara “tem ajudado as famílias” no processo, para ela a mesma “é uma forma de dar as pessoas oportunidades para que possa ter alguma resposta”.

A este propósito, Isabel Moniz informou que as pessoas que trabalham, ou seja, que têm algum rendimento ficam de fora, mas que, por outro lado, têm cobertura por parte do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), tendo lamentado o facto de comparticipar com 50 sessões de fisioterapias e pelo facto de outras terapias ainda não terem enquadramento legal.

A Colmeia, conforme fez saber, tem uma abrangência nacional, mas por falta de recursos está a realizar um trabalho mais concentrado em Santiago, sobretudo no interior da ilha, por haver muito mais dificuldades, isto porque, segundo ela, existem poucos especialistas nesta área para atender as pessoas com deficiência.

Relativamente ao encontro, que contou com a presença da delegada de saúde de Santa Catarina e da presidente do Centro Nacional de Pensões Sociais, teve ainda como objectivo “aproximar” as autoridades da Colmeia para que juntos possam ver como podem dar “respostas articuladas” para que as mesmas possam chegar realmente a quem precisa.

“Não podemos dizer que a área da deficiência de há 10 anos e agora estão iguais, já teve alguns avanços, mas ainda carece de um trabalho de sensibilização a todos os níveis, desde escolas, Saúde, sistema do INPS, Pensão Social e da população nas localidades”, exteriorizou, apelando as pessoas a não chamarem os deficientes de “doidos”, ajuntando que todos, no decorrer na vida, podem, igualmente, contrair alguma deficiência.

Assim como a Câmara Municipal e Delegacia de Saúde de Santa Catarina e Centro Nacional de Pensões Sociais, Isabel Moniz pediu “abertura” por parte de outras instituições para que, de forma “articulada”, possam dar respostas para os problemas que ainda persistem.

A Colmeia, que tem cerca de 500 membros, segundo informou Isabel Moniz, tem acompanhado, sinalizado e caracterizado as famílias, visando ajudá-las na obtenção do rendimento social de inclusão, através do Cadastro Social Único e para atribuição de pensãosSocial para as suas crianças.

Entretanto, a responsável lamenta o facto de a associação não ter condições para dar respostas para a questão da pensão social e outras compensações financeiras, que competem as outras instituições públicas.

Isabel Moniz congratulou-se ainda com o anúncio feito pela edilidade santa-catarinense em criar um Centro de Acolhimento para crianças com deficiência, cujos pais trabalham, ajudar escolas com rampas e construções de casas de banho adaptados e ainda com o compromisso de usar da sua “influência” para que as crianças com deficiência possam ser “prioritárias” na atribuição de transporte escolar da Fundação Cabo-verdiana de Acção Social Escolar (Ficase).

Tal anúncio para esta responsável é de “grande valia”, sustentando que isto vai responder as “preocupações e necessidades” das famílias.

FM

Inforpress/Fim