Instituto Confúcio da Uni-CV quer atrair mais alunos para o ensino do mandarim – directora

Cidade da Praia, 14 Mar (Inforpress) – A directora do Instituto Confúcio da Universidade de Cabo Verde revelou hoje que um dos desafios da instituição é atrair alunos para o ensino do mandarim, que é ministrado, neste momento, a cerca de 1300 estudantes no arquipélago.

Ermelinda Tavares que falava à Inforpress, sobre o funcionamento do instituto e as actividades para este ano, adiantou que neste momento a língua chinesa é ministrada na Uni-CV em 16 escolas secundárias do país nomeadamente oito na Praia, quatro em São Vicente e Assomada, incluindo a Aldeia Infantil SOS de Santa Catarina.

Segundo avançou, desde Janeiro de 2016 que o Instituto Confúcio vem trabalhando na promoção e divulgação da língua e cultura chinesa em Cabo Verde com várias actividades que visam atrair mais alunos para a aprendizagem do mandarim e mostrar as oportunidades de aprender uma língua nova.

“Neste momento temos cerca de 1300 cabo-verdianos a estudar a língua mandarim”, revelou.

A directora afirmou que a nível das escolas secundárias, o projecto de ensino do mandarim foi implementado no ano lectivo 2017/18 em 12 liceus e destinado aos alunos do 9º ano, e foi alargado para mais quatro escolas e para o 10º, 11º, 12º ano de escolaridade, mas sublinhou que o mesmo tem tido aspectos positivos e negativos.

Ermelinda Tavares assegurou que o facto de não ser uma disciplina obrigatória e a carga horária são alguns dos dois aspectos que têm contribuído para que muitos alunos ou estudantes não terminem ou deixem as aulas ao meio.

“Por ser uma disciplina opcional que não consta do plano curricular, os alunos não têm demonstrado interesse pela língua, e focalizam mais nas outras disciplinas que consideram importantes já que tem de estudar para ter notas”, apontou, salientando que, por outro lado, tem tido também problemas a nível de língua, já que os professores não sabem a língua crioula ou portuguesa, e têm se apoiado na língua inglesa para dar aulas.

Por outro lado, disse que o engajamento e o empenho dos poucos alunos que frequentam as aulas constituem um dos aspectos positivos deste projecto, sendo que os mesmos têm tido uma participação muito activa nas actividades culturais promovidas pelo Instituto Confúcio.

Apesar de existir alguns constrangimentos, Ermelinda Tavares mostrou-se “confiante” e “convicta” de que vão conseguir atrair mais alunos, já que estão reunidas todas as condições, tendo realçado que os cabo-verdianos só terão a ganhar com uma nova língua.

Explicou que, neste momento, o Instituto Confúcio realiza o teste denominado HSK Preparação para o Exame de Proficiência da Língua Chinesa escrita e oral, se os alunos atingirem o nível 3 a nota permitida para entrar nas universidades chinesas não precisam de fazer outro teste quando forem estudar na China.

“Com base nisso, três alunos que frequentaram o curso de mandarim no instituto deste o início de 2016, foram contemplados com bolsas de estudo de curta duração para estudar na China na área de aprendizagem da língua mandarim”, avançou a directora que confirmou que a bolsa foi concedida pelo governo chinês.

O Instituto Confúcio é uma instituição de formação sem fins lucrativos, assente no princípio da cooperação entre a República Popular da China e outros países amigos e parceiros, com o objectivo de divulgar e promover a compreensão da língua e da cultura chinesa.

Inaugurado em Dezembro de 2015, o Instituto Confúcio na Universidade de Cabo Verde começou a leccionar cursos de língua e cultura chinesa em Janeiro de 2016, actualmente há cerca de 1300 alunos a estudar o mandarim no arquipélago.

AV/ZS

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