Importância da pesquisa científica e tecnológica destacada na abertura de workshop sobre informação oceânica e costeira

Mindelo, 14 Mar (Inforpress) – A presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento da Pesca (INDP) destacou hoje a importância da pesquisa científica e tecnológica para a protecção do capital natural e serviços do ecossistema e para manter seus benefícios para uma exploração sustentável.

Na abertura do fórum “Pesquisa científica sobre informação oceânica e costeira de apoio aos recursos marinhos e à biodiversidade na Macaronésia e na região de São Tomé e Príncipe”, no Mindelo, Osvaldina Silva reiterou que se torna “importante” a formação de técnicos e a divulgação desse conhecimento, nos “mais diferentes âmbitos da sociedade”, para se promover o desenvolvimento e a consciencialização da importância dos recursos do mar e da sua exploração racional.

Por isso, considerou, o encontro de hoje “veio na hora certa”, sendo ainda “pertinente”, devido ao facto de Cabo Verde ser um país em que 99 por cento (%) do seu território é mar e 80% da sua população vive nas proximidades das zonas costeiras.

Segundo a responsável, Cabo Verde possui uma Zona Económica Exclusiva (ZEE) de cerca de 780 quilómetros quadrados, “modesta em biomassa” mas “rica em biodiversidade”, contudo, salientou, o facto é que “pouco se conhece” em recursos vivos e não vivos.

“Isso nos leva a pressupor que existe um potencial desconhecido por explorar e nos coloca novos desafios científicos e tecnológicos”, aludiu a mesma fonte, reconhecendo que para explorar esse potencial é necessário Cabo Verde “aumentar a sua capacidade” de observação e monitorização oceânica e costeira, observação e detecção de impactos de mudanças climáticas, aumentar a capacidade técnica, financeira e institucional, e criar infra-estruturas de logísticas e de apoio à investigação.

“Ou seja, criar uma base de conhecimento e inovação”, sintetizou.

Por fim, lembrou a importância do fortalecimento das parcerias e cooperação técnico-científicas nacionais e internacionais como “factor-chave” para se atingir essa ambição.

Na mesma linha, o secretário de Estado da Economia Marítima, Paulo Veiga, através de um assessor que leu a mensagem que dirigiu ao fórum, por seu lado, enalteceu a “grande importância” do workshop para a capacitação técnica e operacional dos técnicos nacionais rumo à conservação e exploração sustentável dos recursos haliêuticos.

O governante reconheceu que, “não obstante os esforços que têm sido feitos”, há ainda “muito por fazer e para investir” numa investigação “mais profunda e eficaz”, já que a biodiversidade oceânica e as águas cabo-verdianas são ainda “campos pouco conhecidos”.

Por isso, disse esperar que do fórum do Mindelo saiam conclusões de “significativo impacto” na matriz de actividades e atitudes para os próximos tempos, em “relações privilegiadas” de cooperação técnica e “profundo espírito” de partilha.

Hoje e sexta-feira, 15, instituições “de renome e potenciais financiadores” e técnicos nacionais e estrangeiros, no âmbito do workshop, farão apresentações curtas e objectivas, realçando as necessidades e desafios de Cabo Verde em investigação, promoção e desenvolvimento no sector marinho.

O INDP, que promove o encontro, confirmou as presenças de representantes de “grandes organizações internacionais” como o NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration U.S.) NASA (National Aeronautics and Space Act), GEO Planet Initiative, The Marine Biodiversity Observation Network, European Space Agency (ESA), Foundation for science and technology e Oceanic Platform of the Canay, entre outras.

O resultado esperado é a elaboração de um plano de acção resultante das necessidades de Cabo Verde, em que cada uma das instituições estrangeiras ficará responsável para apoiar o arquipélago em matéria das suas competências.

AA/ZS

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