Ilha do Sal: Político e comentador português diz que só a liberdade e a democracia garantem Estados fortes

Espargos, 12 Jan (Inforpress) – O comentador da estação televisiva portuguesa SIC, advogado e político português Luís Marques Mendes afirmou sexta-feira, no Sal, que só a liberdade e a democracia garantem Estados fortes, pelo que “há que se cuidar para contrariar os riscos”.

“Temos hoje que cuidar da liberdade, tal como devemos cuidar do planeta onde vivemos, tal como devemos cuidar do ar que respiramos. Precisamos, no fundo, de cuidar da democracia nas suas várias vertentes, para contrariar os riscos”, ilustrou.

Luís Marques Mendes falava no Salão Nobre dos Paços do Concelho do Sal, repleto, com destaque para a presença dos alunos do 11º ano do Liceu Olavo Moniz, que foram ouvir o convidado da autarquia salense a dissertar sobre “Liberdade e Democracia”.

Esta conferência surge no âmbito das actividades da “Semana da República”, em celebração do Dia da Liberdade e da Democracia, e o Dia dos Heróis Nacionais, assinalado a 13 e 20 de Janeiro, respectivamente.

Agradecendo o convite e manifestando satisfação por estar no meio dos salenses, sobretudo, conforme disse, nesse “momento especial”, Luís Marques Mendes começou por dizer que os tempos actuais, e à escala global, comprovam que a liberdade e democracia “não são realidades adquiridas para sempre”.

“A liberdade e a democracia são um pouco como a flor num jardim, precisa ser bem tratada, melhorada, cultivada, desenvolvida e aprofundada”, ilustrou, apontando, por outro lado, que os povos “em número cada vez maior” e à escala planetária, “adoram viver em liberdade” porque sem ela “a vida está amputada”.

Da mesma forma que, conforme realçou, também os países, cada vez em números “mais significativos”, desejam viver em democracia.

Neste particular, parafraseando o Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes disse que “não há ditadura, mesmo a mais sedutora, que substitua a democracia, mesmo a mais imperfeita”.

“As pessoas gostam, por isso mesmo, de viver em democracia, mesmo quando ela tem falhas”, considerou, lembrando Churchill que dizia que “a democracia tem muitos defeitos, mas ainda não se conseguiu um regime melhor do que ela”.

Ao longo da sua dissertação, Luís Marques Mendes identificou seis riscos que podem pôr em causa “o bom funcionamento” da democracia.

Passando revista a alguns destes riscos, destacou, nomeadamente os populismos, os fake news (falsas notícias), a falta de ética na acção política, a corrupção, o risco do proteccionismo e das chamadas guerras comerciais, e, por último, as desigualdades sociais.

“Hoje, temos muitos riscos pela frente, identifiquei aqui apenas seis. Só a liberdade e a democracia garantem Estados fortes. Estado forte não é sinónimo de Estado autoritário”, acautelou.

Apontando, por outro lado, as formas de afirmar a democracia, Luís Marques Mendes distinguiu “a idoneidade, a credibilidade e respeitabilidade” de Cabo Verde no plano internacional, “na Europa, em África e no mundo inteiro”.

“Em Cabo Verde, a liberdade e a democracia não são figuras de retórica. Instituída a democracia multipartidária há alguns anos atrás, ela hoje funciona em todo o seu esplendor”, reiterou.

SC/AA

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