“Há necessidade de se reescrever a história para que as gerações vindouras conheçam e valorizem a cultura cabo-verdiana – Historiador

Cidade da Praia 25 Out (Inforpress) – O historiador Victor Semedo defendeu hoje a necessidade de se reescrever a história sobre as revoluções liberais de 1820 e 1910 para que as gerações vindouras possam conhecer e valorizar melhor a “rica cultura” cabo-verdiana.

Em declarações à Inforpress, à margem do acto de apresentação do livro “Implementação dos ideais das revoluções de 1820 e 1910, Ultramar português – Cabo Verde”, realizado esta quinta-feira, na Cidade da Praia, Victor Semedo afirmou que existe um vazio nas referidas fases da história de Cabo Verde e que é preciso que sejam lançadas as bases hoje para que as gerações futuras tenham acesso a essa realidade.

“Penso que existe um vazio nessa fase da história, que é o período de transição do antigo regime para o Estado moderno. Então, era preciso ter alguém que pegasse nesses temas para desenvolver e trazer para o nosso quotidiano e quero com este trabalho dar a oportunidade de os cabo-verdianos conhecerem melhor a sua história”, disse, lembrando que os ideais das revoluções de 1820 e 1910 instalaram-se no arquipélago pela via pacífica.

Segundo o autor, a referida obra está dividida em cinco partes que permitem compreender o antes, o durante e o depois das revoluções, o que, de facto, alterou, com os ideais que os liberais acreditavam.

As revoluções liberais, de acordo com o autor, tiveram em Cabo Verde impactos no quotidiano cabo-verdiano, elucidando que as mesmas incutiram nos cabo-verdianos a certeza de que apossam-se sobre a economia para que de facto haja liberdade, numa sociedade que considerou democrática, graças ao resultado da aplicação das leis.

“Em Cabo Verde, o liberalismo provocou a extinção da escravatura, introduziu as eleições enquanto modo de legitimação do poder, alargando a base social de recrutamento de eleitos locais bem como para a representação a nível do Congresso ou do Parlamento da Nação Portuguesa”, afirmou, realçando que os cabo-verdianos acolheram de bom grado às inovações introduzidas, quer no aparelho administrativo quer nas instituições políticas.

Por seu turno, a apresentadora da obra, Sandra Mascarenhas, considerou o livro como uma obra que retrata a história politica no período das revoluções, afirmando que em um determinado momento da obra o autor é obrigado, por questão de contextualização, a recuar no tempo dos acontecimentos.

“Durante esses períodos, o autor faz a análise de toda a movimentação do liberalismo que acontece ora através do regime liberal ora através do regime absolutista e faz um estudo tanto a nível das instituições como do próprio poder politico, sobretudo analisando as vicissitudes ligadas a essas mudanças que acontecem tanto em Cabo verde como em Portugal” , asseverou, salientando que o livro traz reflexões sobre os ideais nacionais que foram se desenvolvendo com o passar dos anos.

No entender da apresentadora, tem-se dado uma atenção especial à história contemporânea, daí no seu entender a importância de se aprofundar e debruçar sobre os acontecimentos que marcaram a história de Cabo Verde.

CM/JMV

Inforpress/Fim