Governo vai transformar serviços de saúde para um modelo baseado na prevenção de doenças – ministro (c/áudio)

Cidade da Praia, 13 Mar (Inforpress) – O ministro da Saúde disse hoje que o Governo está a preparar-se para transformar os serviços de saúde, abandonando o modelo de serviços curativos para um modelo baseado na prevenção de doenças, resiliência climática e desenvolvimento sustentável.

Arlindo do Rosário fez essas considerações no acto de comemoração do 5º aniversário do Instituto Nacional da Saúde Pública (INSP), hoje, na Cidade da Praia, com o lançamento do “Ano da hipertensão arterial e promoção de comportamentos saudáveis” e publicação do primeiro desdobrável em Braille sobre a cobertura universal de saúde no país.

Conforme o governante, esse modelo que se quer concretizar vai servir para implementar abordagens que promovam a integração das diversas actividades e programas de saúde, com base em evidências necessárias para melhor compreender os efeitos das alterações climáticas na saúde, incluindo as causadas pelos impactos dessas mudanças sobre os principais determinantes da saúde.

O modelo a implementar, realçou, visa ainda melhorar a resiliência climática e a sustentabilidade ambiental dos serviços, através da implementação de medidas de mitigação das alterações climáticas.

“Cabo Verde está alinhado com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e com o XIII programa da Organização Mundial da Saúde que define três eixos principais para a saúde, como sejam a cobertura universal de saúde, a segurança sanitária e a promoção da saúde”, sublinhou.

Relativamente à cobertura universal dos serviços de saúde, o ministro avançou que o país está a reforçar as capacidades do sistema visando adoptar abordagens melhoradas, centradas nas pessoas, nos grandes factores de risco e nas determinantes de saúde.

A intenção, explicou, é implementar pacotes nacionais dos serviços essenciais, priorizando os níveis primários e secundários de prestação de cuidados, apostando na implementação da abordagem “saúde em todas as políticas”, no desenvolvimento dos recursos humanos para a saúde, reformando o sistema de financiamento, política farmacêutica, sistema de informação da saúde e investigação.

A par isso, admitiu que Cabo Verde enfrenta, ainda, “desafios importantes” na gestão dos riscos sanitários e da prevenção de epidemias, pelo que avançou que a implementação do Regulamento Sanitário Internacional e a abordagem uma só saúde, constituem eixos importantes para a resiliência do Sistema Nacional de Saúde (SNS).

Perante todas essas mudanças, considerou que a comemoração do Vº aniversario do INSP, que se assinala com o lançamento do primeiro desdobrável em Braille sobre cobertura universal de saúde e o lançamento da campanha “Ano da hipertensão arterial e promoção de comportamentos saudáveis”, mostram a determinação do Governo” no cumprimento dos ODS, “sem deixar ninguém para trás” e na promoção da saúde.

Lembrou ainda que Cabo Verde, como pequeno estado insular, encontra-se “na linha da frente” numa “variedade de riscos agudos” e de longo prazo, incluindo inundações e secas extremas, elevação do nível do mar e risco de doenças transmitidas pela água, por vectores ou por alimentos.

A presidente do INSP, Maria da Luz Lima, por seu lado, ao falar da instituição referiu-se ao trabalho que esta vem fazendo para a produção de evidencias e bases factuais para tomada de decisões e a organização da acção com vista a obtenção de resultados em saúde.

“Ao longo de cinco anos, mormente as limitações, temos tido muitas conquistas, nomeadamente no desenvolvimento de parcerias, protocolos de cooperação, participação em projectos de investigações, criação do observatório, implementação do sistema de informação geográfica em saúde, entre outros”, disse.

No seu discurso alusivo à data, realçou ainda a existência de desafios relacionados com a afirmação do instituto nas áreas de promoção da saúde, investigação, vigilância epidemiológica e desenvolvimento laboratorial.

Segundo Maria da Luz Lima, a associação do aniversário do INSP e o lançamento do “Ano da hipertensão arterial e promoção de comportamentos saudáveis” tem como propósito a promoção e adopção de hábitos e estilos de vida saudáveis no país, visando com isso a redução dos factores riscos associados à hipertensão arterial e suas consequências.

E na contribuição de um mundo “mais justo e inclusivo”, afirmou, que a incorporação do lançamento do desdobrável sobre a cobertura Universal da saúde em Braille à comemoração do aniversário da instituição seja uma mais-valia para todos e para a parceria que querem promover com a Associação dos Deficientes Visual de Cabo Verde (Adevic).

No evento, que serviu para assinalar os cinco anos de existência do INSP, o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Cabo Verde, Mariano Salazar Castellon, fez uma breve referência sobre a cobertura universal de saúde, que consiste em cuidar para que o conjunto da população tenha acesso, sem discriminação, aos serviços públicos essenciais, definidos em nível nacional, para aquilo que é a promoção da saúde, a prevenção, o tratamento e medicamentos de base, serviços eficazes e de qualidade.

O conceito de cobertura universal, confronta a igualdade e a não discriminação entre humanos, assevera as divisões devido ao poder económico levando a que o custo não leve os usuários a dificuldades financeiras, particularmente os pobres, as pessoas vulneráveis e as camadas marginalizadas da população.

PC/AA

Inforpress/Fim