Governo quer legitimar a dignidade dos autores com o cumprimento da lei (rectificado)

Cidade da Praia, 10 Fev. (Inforpress) – O Governo prometeu sábado, na “Gala de Homenagem” aos irmãos Zezé e Zeca di Nha Reinalda, fazer com que se cumpra a lei dos direitos de autor, visando a dignidade futura, não obstante reconhecer, ainda um longo trabalho a fazer.

Nesta Gala promovida pela Sociedade Cabo-verdiana de Autores (SOCA), o ministro da Cultura, Abraão Vicente, revelou que durante 2018 o seu ministério distribuiu cerca de 50 mil contos entre as várias entidades, pela primeira vez, e que se vai dar continuidade em 2019 ao trabalho com vista a fazer chegar aos autores o digno contributo pelos seus trabalhos.

“Nada mais. Estamos a cumprir o nosso trabalho e esperamos faze-lo, cada vez, com mais e melhor competência”, asseverou o governante, acrescentando estar a trabalhar para que as entidades gestoras tenham condições de fazer a cobrança dos direitos de autor e direitos conexos.

Já o presidente da SOCA, Dany Spinola, manifestou a sua satisfação pela concretização desta Gala em homenagem “merecida” aos irmãos Zezé e Zeca di Nha Reinalda, enquanto dois grandes vultos da música cabo-verdiana, numa ocasião aproveitada para proceder à entrega dos direitos aos autores e artistas no domínio da cópia privada.

Revelou que a SOCA recebeu cerca de sei mil contos, tendo procedido à distribuição de aproximadamente dois mil contos a 22 autores e artistas no domínio da música, para posteriormente fazer outras distribuições aos escritores e artistas plásticos.

Com o salão nobre da Assembleia Nacional completamente abarrotado, os irmãos compositores e intérpretes Zezé e Zeca di Nha Reinalda, duas das figuras marcantes da música tradicional cabo-verdiana, partilharam com o público “momentos altos e marcantes” das suas carreiras, ao mesmo tempo que se jubilaram com este “dom de Deus”.

Conhecido como “Rei do Funaná”, Zeca di Nha Reinalda fechou o palco com “uma soberba actuação” de alguns temas considerados clássicos, composições tanto dele como do seu irmão, onde não faltaram melodias como “Djentis di as-aguas”, “Feia Cabelo Bedjo”, “Sem Mantchontcha” de entre outras.

Debaixo de fortes aplausos e ovações, os dois irmãos que juntos já contam com mais de 130 composições e dezenas de gravações, foram agraciados com diplomas de mérito e troféus alusivos ao acontecimento.

Apresentada como um “momento especial da SOCA”, a Gala foi marcada, ainda, pela actuação do agrupamento de batuco “Tradiçon di Terra”, e dos artistas Gerson Spencer, Rui Cruz, Princezito, Jorge Tavares, Rui Cruz, Bob Mascarenhas, Nany Vaz, Grace Évora, Zé Rui de Pina, Bino e Eduíno dos Ferro Gaita, e dos “rappers” Hélio Batalha e dos Trakinos.

Spínola avançou que cada um dos beneficiados foi comtemplado com 80 mil escudos, provenientes de quase 2 mil contos que a SOCA tem à disposição dos autores e artistas.

A Gala de Homenagem aos irmãos Zezé e Zeca di Nha Reinalda, enquadra-se nas actividades comemorativas do 14º aniversário natalício da SOCA, organização que promete, ainda, durante o ano em curso, realizar “um programa ambicioso de actividades” com exposições colectivas de artes plásticas, da pintura e da escultura, visando a inauguração da sala de exposição na sede desta sociedade no Platô.

Revelou ainda a realização de “uma grande exposição colectiva de artes plásticas” na cidade de Assomada, em Julho, bem como a apresentação do livro “Tututa, Composições”, em Lisboa (Portugal), com os antigos alunos do liceu de Cabo Verde.

A SOCA, de acordo com o seu presidente, procedeu à primeira distribuição dos direitos de autor arrecadados em Cabo Verde em 2017 na Gala em Homenagem a Titina Rodrigues e a distribuição dos direitos de autor arrecadados na companhia aérea Binter pela utilização das músicas nos seus voos.

(Nova versão que rectifica o segundo parágrafo, substituindo “150 mil contos” por “50 mil contos”).

SR/ZS

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