Escritor Manuel Veiga reedita romance “Odju d’ Agu” sob chancela da Livraria Pedro Cardoso

Cidade da Praia, 16 Mar (Inforpress) – O professor e investigador Manuel Veiga edita, pela terceira vez, o romance “Odju d’ Agu” sob a chancela da Livraria Pedro Cardoso, anunciou hoje, à Inforpress, o próprio autor.

Manuel Veiga informou que a obra, dada à estampa pela primeira vez em 1997, estava esgotada e havia muita procura, por isso depois de o interesse manifestado pela Livraria Pedro Cardoso em reeditar a obra, não hesitou.

Escrever “Odju d’ Agu”, disse, foi uma necessidade de questionar e de descobrir as suas raízes, e de testar a capacidade literária e filosófica da sua língua materna.

O título da obra, explicou, resume toda a “diegética do livro”. “Ele pode significar a fonte onde a água é mais pura, mas também a raiz que prende a árvore à terra, na sua terra. As personagens estão em contínua viagem de iniciação e de aprendizagem da cultura cabo-verdiana, da cultura africana, da cultura universal”, explicou.

Num primeiro tempo, continuou, “Odju d’ Agu” é Cabo Verde, num segundo momento é África continental, e num terceiro momento volta a ser Cabo Verde.

“Os viajantes partem de Cabo Verde para reencontrarem a África profunda e dali partem, de novo, para redescobrirem Cabo Verde, a fonte e o centro da sua mundividência, da sua antropologia existencial e cultural. Os que mais viajam são os que mais sede têm do “Odju d’ Agu”, tanto o islenho como o continental” explicou um pouco a essência da obra.

O livro vai ser apresentado, no dia 22, pela professora Antonieta Lopes, que assim como a personagem principal da obra, a Regina, aquela que vai mergulhar-se na fonte do “Odju d’ Agu”, à procura da sua identidade, tem também raízes na ilha do Fogo.

Falando sobre os seus projectos literários, Manuel Veiga disse à Inforpress que as obras “Odju d’Agu”, escrito em crioulo, e “Diário das Ilhas”, em português, que já foram dadas à estampa, fazem parte de uma trilogia.

O terceiro elemento da trilogia, e que já se encontra no prelo, vai ser intitulado de “Profecias do Ali-Ben-Ténpu” (Virá um Tempo) que é uma reflexão “romanesca” que, em jeito de profecias, com os capítulos alternadamente em crioulo e em português, “um verdadeiro exercício de bilinguismo”, anuncia o futuro de Cabo Verde, em matéria de vivência, filosofia de vida, princípios éticos, cultura política, antropológica e religiosa.

“Ali-Ben-Ténpu” é uma “metonímia da figura tradicional de “Nho Naxu” que iniciava as suas previsões com a frase “Ali-Ben-Ténpu…” em que o que anunciava acabaria por acontecer”, informou.

“A obra comporta uma primeira parte em que Nhu Naxu apresenta a sua visão sobre o passado recente do nosso povo. A mesma comporta 15 estações. A última delas, sobre o “Fim de Ciclo”, é fundamental para o entendimento da segunda parte que é onde se encontra o cerne das profecias plasmadas em 35 estações e onde ainda a verosimilhança da narrativa ganha forma mais eloquente e expressão mais acabada” avançou.

Para o autor, a obra é polémica, pois, pode-se não concordar com todas as 35 estações, pela “ousadia e pelo inabitual da mensagem veiculada”.

“É possível que haja algum desapontamento. Porém, haverá, certamente, alguma empatia e, provavelmente, um ou outro sentimento de estupefacção”, advertiu.

Para além desses projectos literários, o professor tem ainda no prelo um ensaio, isto é, a publicação de um estudo sobre “A Formação da Língua Cabo-verdiana: Matrizes Originárias e Restruturação Local”.

Apesar de escrever alguns romances, Manuel Veiga considera-se um ensaísta, pois, segundo disse, dos novos títulos dados à estampa e dois outros no prelo, apenas três obras são de ficção.

AM/FP

Inforpress/Fim