Economia Solidária: Implementação dos projectos pode ser alavanca importante para o desenvolvimento local – Óscar Santos

Cidade da Praia, 11 Mar (Inforpress) – O presidente da Câmara Municipal da Praia considerou hoje a implementação dos projectos de economia social e solidária, uma “alavanca” para a melhoria das condições de vida das pessoas e, consequentemente, para o desenvolvimento local.

Óscar Santos fez estas considerações quando falava na cerimónia de abertura hoje, na Cidade da Praia, do workshop de três dias sobre “Economia Social e Solidária no âmbito do Desenvolvimento Economico Local” (DEL) no quadro do processo de elaboração dos Planos Estratégicos Municipais de Desenvolvimento Sustentável (PEMDS).

“É uma abordagem interessante para contribuir para uma nova dinâmica do mercado e da promoção do potencial de desenvolvimento local, pois, o objectivo é a melhoria de qualidade de vida dos cidadãos, criar postos de trabalho, promover o ambiente e muito mais”, sustentou.

Conforme o autarca, o programa com o qual se pretende dar uma nova dinâmica do mercado local, através da promoção do potencial local, é mais uma oportunidade para as Organizações Não Governamental (ONG), que desempenharam um papel interessante ao longo dos anos no país, poderem canalizar suas intervenções na requalificação das habitações e do panorama urbano.

Neste âmbito, Óscar Santos afirma acreditar que o Programa Plataformas para o Desenvolvimento Local e os Objetivos 20/30 em Cabo Verde pode ajudar a gerar emprego e fazer com que tudo mude a nível dos municípios.

“Os outros municípios podem capitalizar essa experiência e expandir a economia social solidária, sobretudo na área de tornar as cidades cada vez mais residente com o aproveitamento das comunidades, experiências comunitárias e das ONG, pois, resolvendo o problema do emprego estamos a combater o da pobreza”, declarou.

Para o presidente da Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde (ANMCV), Manuel de Pina, a introdução da economia social e solidária nos planos municipais de desenvolvimento sustentável é uma forma de se trabalhar para melhorar as condições de vida das famílias nos seus referidos municípios.

“Isso só será possível se se desenvolver as actividades económicas, pelo que as organizações da sociedade civil têm toda a potencialidade e sensibilidade para trabalhar com as famílias, ajudando-as a desenvolver uma actividade económica capaz de garantir esta sustentabilidade”, destacou.

As camaras, segundo disse, podem impulsionar esta ideia através do plano estratégico que já foi elaborado por nove município do país, sendo que os outros estão na fase de preparação.

Por seu turno, o presidente do Conselho Directivo da Plataforma das Organizações Não Governamentais (ONG), Jacinto Santos, admite que o novo paradigma técnico está a substituir a estabilidade do emprego por outras formas de geração de emprego, sendo também de opinião que as ONG devem ser integradas no processo de desenvolvimento enquanto agentes económicos e sociais.

“A realidade mostra que hoje em dia o território tem de aproveitar de todas as suas capacidades e potenciar as emergentes e um conjunto de medidas de política para que, a nível dos municípios, se crie uma economia mista e com uma forte política de suporte público dos municípios”, realçou.

Segundo Jacinto Santos, os objectivos do desenvolvimento sustentável dão uma grande importância de transição da economia informal para o formal, sublinhando ainda que, nesta matéria, existem directrizes da OIT para o continente africano.

Realçou, por outro lado, que a economia solidária se tornou num importante instrumento de combate à exclusão social e à pobreza, pois, permite a incrementação do emprego e rendimento para muitos trabalhadores.

O representante das Nações Unidas no encontro, Cristiano Pedraza, ao usar da palavra adiantou que a economia solidaria não é apenas o esforço para a garantia da criação de um facto, mas tem de ser competitivo para garantir um acesso ao mercado de qualidade.

“Nós queremos que se crie trabalhos dignos para se competir dentro do território e capaz de criar incitavas de economia solidária no sector agrícola e capaz de ser competitivo com outros produtos internacionais visando colocar os seus produtos no mercado nacional”, disse.

O Encontro sobre Economia Social e Soldaria (ESS) no quadro de Estratégias de Desenvolvimento Económico Local visa a incorporação dos exercícios de Planificação Estratégica Municipal que darão origem aos PEMDS.

Cabo Verde está a implementar o Programa Plataformas Locais para o sucesso dos ODS com o intuito de expandir os processos de descentralização e de desenvolvimento sustentável do país, pondo o foco nos municípios, como agentes conhecedores do território e das realidades locais das coletividades cabo-verdianas.

O programa das plataformas está a apoiar os esforços de nove municípios piloto no processo de localização dos ODS assim com também no processo de planeamento estratégico articulado e participativo.

No encontro em que participam representantes das plataformas locais dos 09 Municípios da ilha de Santiago (Ribeira Grande, Santa Catarina, São Domingos, São Lourenço, São Miguel, Santa Cruz, São Salvador do Mundo, Tarrafal e Praia), plataforma do Maio, membros ANMCV e do Ministério das Finanças, os trabalhos serão repartidos em três momentos com as presentações concetuais sobre ESS e DEL; apresentação de iniciativas ESS em Cabo Verde e a nível internacional; e exercícios grupais para a integração de projetos ESS no quadro dos PEMDS.

PC/FP

Inforpress/Fim