Correios sem condições de dar mais do que 60 por cento do subsídio de Natal – administrador executivo (c/áudio)

Cidade da Praia, 10 de Dez (Inforpress) – O administrador executivo dos Correios de Cabo Verde (CCV) afirmou hoje que a empresa “não está em condições” de dar mais do que 60 por cento (%) de subsídio de Natal aos trabalhadores.

Cipriano Carvalho reagia assim, em entrevista à Inforpress, ao pré-aviso greve dos dias, 20 e 21, entregado pelo Sindicato de Transportes, Telecomunicações, Hotelaria e Turismo (SITTHUR) para reivindicar a “reposição” do subsídio de Natal a 100% da retribuição.

Segundo o administrador executivo, a deliberação do conselho da administração da empresa de dar “apenas 60 %” do subsídio de Natal teve como base a medida tomada no ano passado em que foi atribuído o mesmo montante aos trabalhadores, com o conhecimento do SITTHUR.

“Vamos dar o mesmo montante que foi atribuído no ano de 2017. Nós até estranhamos este facto. O responsável do SITTHUR, Carlos Lopes, que esteve nas negociações no ano passado vir dramatizar tudo isto, uma vez que no ano passado nós consertamos e foi mediada pela Direcção-geral do Trabalho (DGT) e chegamos ao entendimento de dar 60%. Este ano nós demos 60 % também”, explicou Cipriano Carvalho.

A mesma fonte confirmou que já recebeu o pré-aviso de greve e que o sindicato também o entregou à DGT, que vai convocar as partes para uma negociação no sentido de se chegar a um entendimento.

Mas o administrador executivo dos CCV avisa que,  em princípio, a empresa vai manter o montante do subsídio em 60 %, porque a situação da tesouraria neste momento “não permite dar mai”s.

“Só os 60 % representam mais de dez mil contos. Com o salário do próximo mês vai alcançar cerca de 30 mil contos, de modo que não há condições de darmos mais do que 60%”, reafirmou Cipriano Carvalho, negando as alegadas irregularidades na gestão denunciadas pelo presidente do SITTHUR.

Por isso, Cipriano Carvalho instou Carlos Lopes a identificar as alegadas situações anómalas, até porque, garantiu, a empresa “está a funcionar normalmente” do ponto de vista legal, porque há quórum no conselho da administração.

Estas acusações, ajuntou, provém de um “pequeno grupo de trabalhadores” da empresa que tem “criado perturbações, manipulando alguns colegas menos esclarecidos, para incentivar algum clima de desestabilização.”

No entanto, Cipriano Carvalho disse reconhecer que há necessidade de recomposição do conselho “o mais urgente possível”, no sentido de traduzir o “maior conforto” do conselho de administração na tomada de decisões.

Entretanto, informou que “já há luz verde do Governo” no sentido de, até o final do corrente mês, o conselho de administração ser recomposto ou ser nomeada uma nova equipa administradora.


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