Companhia de teatro Fladu Fla leva teatro aos diferentes bairros da capital durante o mês de Março (c/áudio)

Cidade da Praia, 13 Mar (Inforpress) – A companhia de teatro Fladu Fla leva, durante todo o mês de Março, várias peças teatrais para alguns bairros da capital do país, permitindo, deste modo, que as comunidades tenham possibilidade de assistir uma produção cénica ao vivo.

A informação foi avançada hoje à Inforpress pelo presidente da companhia, Sabino Baessa, que apresentou também a programação do grupo para assinalar “Março-mês do teatro” e a sua agenda anual que envolve várias deslocações ao estrangeiro.

Conforme referiu, a novidade na programação deste ano é que “vão dar à comunidade a oportunidade de assistirem uma produção cénica, com cabeça, tronco e membro”, mas um teatro que “represente a identidade cultural cabo-verdiana e com um nível de qualidade aceite por qualquer plateia”.

Explicou que a comunidade de Achadinha Cima foi a primeira a receber a peça “Sexta-feira 13” no passado dia 09, mas ainda vão levar o teatro à Achada São Felipe, Safende, Achada Grande, para além dos espectáculos clássicos que vão acontecer nos espaços de rotina, nomeadamente no Palácio da Cultura Ildo lobo e o Centro Cultural Português.

Para Sabino Baessa, a companhia de teatro Fladu Fla é a que “tem mais dinâmica na ilha de Santiago”, mas como não querem que os santiagueses se limitem a ver apenas as suas produções, resolveram convidar alguns grupos (Djam Neguin, Cv Noia) e contadores de estórias (Nereida Delgado e Elisabete Gonçalves e João Semedo) para fazerem parte das actividades.

“Precisamos implementar uma nova dinâmica de teatro no país. Não podemos cingir apenas a trazer grupos internacionais a produzir seus espectáculos no nosso país, porque corremos o risco de corromper a própria identidade cultural cabo-verdiana”, disse, ajuntando que é preciso “criar condições para que os grupos nacionais fiquem munidos de ferramentas técnicas para trabalharem esta identidade, ou seja, fazer com que a produção local tenha o nível de qualidade equiparado a qualidade produzida a nível internacional”.

“Sexta-feira 13”, “Fronta Ka so agu Ku lumi”, “Revolta de Escravos”, “Jornada di badiu”, “Menos um”, “Recriação da história – Governador Artur M. Campos”, são algumas das peças que vão percorrer os bairros da capital, o mercado do Platô, a rua pedonal, entre outros.

Segundo este responsável, depois da recriação histórica da revolta de escravos, o vereador da Cultura da Câmara Municipal da Praia, António Silva, propôs ao grupo que recriassem a história da Praia.

Entretanto, em conjunto com alguns historiadores, nomeadamente António Correia e Silva e José Maria Semedo, concluíram que a história do Governador Artur M. Campos é um episódio relevante para ser recriada.

“Ele despertou no povo cabo-verdiano um novo paradigma para a democratização do sistema governativo no país. Governou por pouco tempo, apenas quatro meses, mas deixou marco na história da Praia e de Cabo Verde, por isso o vereador propôs essa reconstrução histórica” justificou.

Dando continuidade à programação, para além da Cidade da Praia, informou que nos dias 23 e 24 vão estar no concelho de Santa Cruz a ministrar um workshop sobre o teatro e na ocasião vão apresentar a peça “Fronta Ka so agu Ku lumi” e “Revolta de Escravos”.

No dia 23, é aguarda a encenação da peça “Vicky & Joel” e a participação do grupo “Enigma”.

Em relação à sua agenda anual, de Abril até Dezembro, o grupo tem previsto apresentar uma nova peça “Panha Sprito” (apanha de espíritos), “Príncipe y Prinsezas di Terá” (Príncipe e princesa da Terra) e ainda vão recordar, nos diversos palcos, as peças “Homem, Eterno prisoneiro” e “Revolta de Escravos”.

Está previsto ainda deslocações do grupo ao Brasil (Maio e Junho) para participar de um festival de teatro e ainda almejam uma deslocação ao Egipto.

Ainda de 19 a 27 de Outubro acontece a terceira edição do Festival do Atlântico “Teatri”.

AM/FP

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