Cancros de foro digestivo são os que mais matam em Cabo Verde – responsável (c/áudio)

Cidade da Praia, 10 Mar (Inforpress) – A coordenadora do Programa Nacional da Prevenção e Controlo do Cancro, Carla Barbosa, afirmou hoje que os cancros digestivos são os que mais matam em Cabo Verde e alertou as pessoas a fazerem consultas periódicas, promovendo a saúde.

Em entrevista à Inforpress, a responsável referiu que, para além dos cancros digestivos, estão na lista dos que causam mais mortes o cancro de próstata, seguindo o da mama e, por último, do colo do útero na mulher.

Carla Barbosa avançou ainda que, anualmente, são detectados vários casos de cancro, sendo que mais de metade deles em estágios 3, ou 4, portanto, em estado avançado, o que significa que o cuidado paliativo tem uma grande importância.

A médica anatomopatologista referiu que, de acordo com os dados estatísticos de que dispõe, referentes a 2017, o número de mortalidade causado pelo cancro atingiu 324 óbitos.

“É um problema da sociedade. O cancro mata e mata muitas vezes pessoas com uma idade ainda jovem que têm muito para dar, tem filhos, tem uma família que, além de enfrentar o problema do cancro, poderão enfrentar outros problemas de desestruturação familiar porque em geral quando temos uma pessoa com um cancro a família toda também está doente”, observou.

Conforme Carla Barbosa a formação a informação sobre esta doença “é importante”, porque existe um grande estigma na população em geral sobre o cancro. Isto porque, sublinhou, a primeira atitude num diagnóstico de cancro, geralmente, é pensar em morte, mas nem sempre o paciente morre porque depende muito do estado da doença.

Por causa disso, esta especialista alerta para a necessidade de as pessoas terem sempre uma atitude preventiva em relação ao cancro desde o estilo de vida, da alimentação, dos hábitos, da prática de exercício físico e ainda consultar o médico de forma regular, não apenas quando se está doente.

“A consulta periódica não é uma cultura das pessoas em Cabo Verde e é por isso que nós temos que cultivar isso desde pequeno, desde a escola começar a ter uma atitude de promoção da saúde”, alertou afirmando que existem exames de rastreio que podem minimizar o aparecimento do cancro.

Para além disso, a coordenadora do Programa Nacional da Prevenção e Controlo do Cancro explicou que é preciso que as pessoas tenham em mente que o cancro infantil apesar de ser mais raro também existe.

“As crianças costumam ter mais linfomas, leucemias, e são situações mais complicadas. O cancro não tem só um carácter sumativo de alterações e de mutações genéticas que vamos ganhando ao longo da vida, mas também poderá ter um carácter mais hereditário”, sentenciou realçando que diante de um diagnóstico de cancro a atitude do doente e da família perante a situação é de extrema importância tal como o tratamento que os médicos podem oferecer.

CD/CP

Inforpress/Fim