BCV quer mudança de comportamento e atitudes dos consumidores financeiros em Cabo Verde

Cidade da Praia, 15 Mar (Inforpress) – O Banco de Cabo Verde (BCV) quer uma mudança de comportamento e atitudes dos consumidores cabo-verdianos e para tal entende que os mesmos devem ser dotados de conhecimentos que os habilitem a tomar decisões financeiras de forma racional.

É com este propósito que aprovou para este ano um plano de acção visando uma melhoria da educação financeira, actualmente avaliada como sendo baixa, conforme indicou o coordenador do Gabinete de supervisão comportamental do BCV, Helton Carvalho.

Este responsável falava aos jornalistas durante conferência “A Importância da educação financeira para as relações de consumo em Cabo Verde”, promovido hoje pelo BCV na Cidade da Praia, para assinalar o Dia Mundial do Consumidor.

“Para este ano já temos um plano de ação de promoção de educação financeira na vertente mais comportamental, ou seja, mais direcionada à mudança de comportamentos e atitudes de consumo, mas posteriormente, estaremos a desenvolver uma iniciativa de abrangência nacional, ou seja, um plano nacional de educação financeira que abrange todo o seguimento da população cabo-verdiana”, explicou.

Helton Carvalho acredita que este plano nacional, que vai ser desenvolvido em parceria com outras instituições com vocação para educação financeira, poderá estar pronto no próximo ano.

Entretanto, indicou que para este ano uma série de actividades já estão previstas.

Para além desta conferencia de hoje que reúne representantes de diversas instituições, e que conta com as participações de representantes dos bancos centrais de Portugal e Brasil, no dia 25 iniciar-se-ão as actividades da semana global da educação financeira.

“Vamos realizar uma série de acçoes de educação financeira destinadas aos jovens e crianças. A semana tem como lema “aprender, guardar e ganhar”. Vamos transmitir a ideia de que educação financeira permite com que as pessoas saibam como gerir as suas finanças, e inclusive criar um espírito de empreendedorismo nas pessoas, particularmente nos jovens e crianças”, disse.

O primeiro inquérito sobre literacia financeira da população adulta activa em Cabo Verde realizado em 2015 e cujos resultados foram divulgados em 2016, demonstrou que cerca de 43% dos inquiridos de 25 a 60 anos afirmaram não ser detentores actuais de uma conta bancária.

Relativamente aos meios de pagamento, conclui-se que o meio de pagamento mais utilizado para a aquisição regular de bens e serviços continua a ser o dinheiro, surgindo como a primeira preferência de pagamento para 84% dos entrevistados.

O recurso ao cartão de débito destaca-se como a primeira preferência para cerca de 15% dos entrevistados. Pouco menos de metade (45%) dos entrevistados costumam fazer poupanças e, destes, apenas 2% numa perspetiva de longo prazo.

Apenas 30,5 % dos inquiridos deram respostas correctas sobre a avaliação do grau de risco atribuído a diferentes aplicações financeiras, ou seja, a grande maioria não avalia corretamente as aplicações financeiras.

MJB/FP

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