AME 2018: África está preparada para receber a revolução do ‘streaming’ – Produtor Djô da Silva

Cidade da Praia, 19 Abr (Inforpress) – O presidente da Sony Music Entertainment na Costa do Marfim, José da Silva, defendeu hoje, na Cidade da Praia, que a África está pronta para receber a revolução do ‘streaming’, mas que ainda é necessário ultrapassar alguns obstáculos.

O produtor cabo-verdiano José (Djô) da Silva fez estas considerações durante o debate sobre “Distribuição digital em África: quais os desafios para a distribuição da música em África?”, realizado no Palácio da Cultura Ildo Lobo, no âmbito da sexta edição do Atlantic Music Expo (AME), que termina esta noite na capital cabo-verdiana.

‘Streaming’ é uma tecnologia que envia informações multimédia, através da transferência de dados, utilizando redes de computadores, especialmente a Internet, e foi criada para tornar as conexões mais rápidas, isto é, permite as pessoas assistir filmes, vídeos, series ou jogos em tempo real.

Segundo Djô da Silva, apesar de o “streaming” ser utilizado em vários países através de grandes serviços como a Netflix, Spotify, Tidal, Meo Music, Aplle Music, Google Play Music, em África, mais precisamente na África do Sul, esta plataforma só chegou há duas semanas com a entrada do Spotify (uma das maiores plataformas do mundo com mais de 60 milhões de utilizadores) nesse mercado.

Para este empresário, vai ser “muito importante” ter a distribuição musical a funcionar em África, pois isto vai mudar a vida dos artistas e da indústria cultural.

“Há muitos países que não têm leis em condições para permitir a entrada dessas plataformas, mas muitos Governos estão a começar a entender e a buscar conselhos e consultorias, porque isto é um tema complexo e não é algo simples, mas penso que dentro de uns dois ou três anos vai estar tudo a funcionar em África”, perspectivou.

Já em Cabo Verde, Djô da Silva que é também director da Produtora e Distribuidora a Harmonia, informou que o país, sendo pequeno, ainda não tem condições de ter as grandes plataformas.

Entretanto, informou, a empresa cabo-verdiana de produção de vídeo games e aplicativos digitais, a Bonako, vai lançar no próximo dia 05 de Maio uma pequena plataforma, a “Música”.

“Essa grande plataforma interessa-os nos países onde há muitos clientes e um país pequeno com pouca clientela não os interessa, então é bom que tenhamos uma plataforma local que nos venha oferecer possibilidade de termos ‘streaming’ em Cabo Verde”, regozijou-se.

Muitos países do continente africano, segundo Binetou Sylla, da Syllart Record (França), como ainda não têm acesso às grandes plataformas do ‘streaming’ têm apostado na divulgação dos conteúdos através do Youtube, por ser uma das plataformas mais acessíveis.

Para o produtor da gravadora Muska/ La clique Music em Congo, Djo Moupondo, não faz sentido ainda em África as pessoas estarem a fazer o ‘download’, enquanto no mundo inteiro já se está a fazer o ‘streaming’.

“A Internet está a chegar cada vez melhor e mais rápida e temos países africanos com Internet em alta velocidade, por isso a única coisa que precisamos é ter essas plataformas”, sublinhou.

Hoje, último dia da sexta edição do AME, sobem ao palco da Praça Luís de Camões, os artistas Arsene Duevi, Debora Paris, Romeu Di Lurdis, Sofiane Saidi & Mazalda, Cris da Lomba e AfrotroniX.

Por volta das 23:30, o AME encerra dando lugar a 10 edição do Kriol Jazz Festival, com o espetáculo musical do grupo homenageado os Tubarões e Bulimundo, na Praça Luís de Camões, no Platô.

AM/CP

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