“A democracia é um bem muito caro para o mundo e para Cabo Verde” – ministro

Espargos, 12 Jan (Inforpress) – O ministro de Estado, da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares asseverou sexta-feira, no Sal, que a democracia é um bem “muito caro” para o mundo e “essencialmente” para Cabo Verde e os cabo-verdianos.

Fernando Elísio Freire, para quem comemorar a democracia “é comemorar o homem”, fez estas considerações durante a conferência “Liberdade e Democracia”, proferida pelo comentador da estação televisiva portuguesa SIC, o advogado e político português, Luís Marques Mendes, a cuja sessão de abertura presidiu.

Esta conferência surge  a convite da autarquia salense, no âmbito das actividades da Semana da República, em celebração do Dia da Liberdade e da Democracia e o Dia dos Heróis Nacionais, assinalados a 13 e 20 de Janeiro, respectivamente.

“A democracia não é irreversível em nenhuma parte do mundo, temos todos os dias que trabalhar para a sua consolidação e para a sua vitória, e a vitória da democracia é uma vitória de cada um de nós”, disse o ministro.

Por isso mesmo, acautelou o governante que a visão que os cabo-verdianos devem ter da democracia “deve ser conjunta, partilhada e não uma visão competitiva, um factor de unidade e de união de todos”.

“Nas nossas atitudes, comportamentos e na forma como relacionamos um com o outro, por isso que qualificar e consolidar a democracia é fundamental”, considerou, apontando que para tal é necessário “reforçar a independência, a isenção e a imparcialidade” da administração pública e da administração eleitoral, promover um Estado “moderno, eficiente, confiável e parceiro”.

Considerando, por outro lado, que o assistencialismo “mina” a democracia, neste particular admitiu que há que mudar a forma de encarar as políticas sociais.

“Quando estamos a ajudar à espera que alguém nos seja fiel em termos partidários (…) mina a democracia. Nós temos que trabalhar diariamente para que as pessoas ganhem autonomia e sejam homens e mulheres dignos”, enfatizou.

Considerando que a democracia é um “bem estratégico” para Cabo Verde e que o país é respeitado no mundo por causa da sua estabilidade política e da sua democracia, como referiu, Fernando Elísio Freire disse esperar que a conferência do Sal possa levar também à reflexão sobre os caminhos a seguir.

“Cabo Verde, em termos formais, tem uma democracia evoluída. Esta é uma excelente oportunidade para reflectirmos, para que o nosso país possa continuar a ser uma democracia de referência a nível mundial e continue a orgulhar todos os cabo-verdianos no quadro da legalidade, do respeito, e acima de tudo da tolerância”, concluiu.

Seguindo pelo mesmo diapasão, em poucas palavras, o presidente da Câmara Municipal do Sal, Júlio Lopes, reforçou que, depois da vida, a liberdade é o principal valor do ser humano.

“Não há nenhum outro valor que pode sobrepor-se à liberdade individual do homem e da mulher. E, em Cabo Verde, institucionalmente, estabeleceu-se o dia 13 de Janeiro para se celebrar a liberdade”, notou.

Lembrou que foi a partir desta data que os cabo-verdianos passaram a ter “o direito de expressar livremente as suas opiniões, a liberdade de imprensa, e o direito de voto, de escolher, directamente, os seus governantes”.

“Por conseguinte, celebrar este Dia da Liberdade é nossa obrigação e o nosso dever”, sintetizou.

SC/AA

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