Turismo acessível e inclusivo é um desafio a vencer nas ofertas turísticas no país, disse António Melo

Cidade da Praia, 15 Abr (Inforpress) – O presidente da Federação Cabo-verdiana de Associações de Pessoas com Deficiência (FECAD) disse hoje que, enquanto não houver a inclusão das pessoas com deficiência, o turismo acessível e inclusivo será um desafio a vencer nas ofertas turísticas no país.

António Melo fez essas considerações em declarações à Inforpress quando falava sobre turismo acessível para todos no âmbito da acção de formação sobre o tema “Turismo Acessível e Inclusivo (TAI)” que decorre na cidade da Praia por um período de três dias e é destinada aos técnicos do turismo das câmaras municipais de Cabo Verde.

“Para falarmos num turismo acessível e inclusivo temos de falar de inclusão para todos. Nesta matéria estamos bastante atrasados, pois, ainda existe muito por fazer, mas contamos nesta luta com o poder público”, disse.

Conforme António Melo, o turismo acessível para todos tem vindo a ser reconhecido a nível mundial, não só pela sua relevância social, cívica e demográfica, mas também pelas potencialidades económicas associadas, constituindo ainda uma “importante estratégia” para assegurar a sustentabilidade do turismo.

A acessibilidade, segundo disse, é uma componente fundamental para a participação das pessoas com necessidades especiais e é também um parâmetro “muito importante” para uma experiência turística de qualidade para todos, bem como para a competitividade e diferenciação dos destinos turísticos.

“Para conseguirmos chegar a este patamar, no âmbito de um outro projecto, estamos a distribuir carta reivindicativa em alguns serviços, com quatro pontos muito importantes sobre a matéria”, acrescentou.

Neste âmbito, sublinhou que o turismo acessível não se centra em criar uma oferta nova, mas sim em potencializar a que já existe e neste contexto constitui um desafio de adaptação para a oferta turística instalada em destinos turísticos já consolidados e maduros.

Face a estas constatações, o presidente da FECAD considerou que a inclusão no país é um longo caminho que não se pode conseguir só com as acções da federação, mas também com o apoio do Estado, por ser este quem faz as leis e executa políticas.

Questionado sobre o papel que a FECAD pode desempenhar para uma mudança real do paradigma da acessibilidade visto existir uma grande lacuna na matéria, aquele representante das pessoas com deficiência afirmou que, antes de tudo, é preciso analisar o decreto lei nº20 de 2011 que regulamenta lei de acessibilidade, mas que não é aplicado.

“Neste caso, estamos a forçar o poder a ter em conta a lei que aprova e alertar a quem de direito para uma fiscalização mais apertada no sentido de cumprir a lei”, realçou.

Por este motivo, avançou que a formação que hoje se iniciou tem por objectivo disseminar o conhecimento sobre pessoas com deficiência e nada melhor do que as câmaras municipais, que são o poder mais próximo do cidadão, a receber instrumentos de trabalho para ajudar a FECAD a solucionar os problemas existentes no domínio da acessibilidade, mobilidade e inclusão.

“Todas as câmaras estão a fazer um pouco nesta matéria, mas queremos dar-lhes ferramentas para que possam solucionar o maior problema nesta matéria que é a fiscalização, que também é feita pelas autarquias segundo o decreto lei nº20 de 2011”, enfatizou.

Na formação, que se iniciou hoje, o foco é o turismo que está sendo desenvolvido através do projecto “Acesso à Cultura em Cabo Verde e Desenvolvimento Turístico e de Representação das Pessoas com Deficiência (ACCEDERE)”, que visa tornar visível no sistema turístico cabo-verdiano o segmento turismo acessível e inclusivo.

O projecto Acesso à Cultura em Cabo Verde e Desenvolvimento Turístico e de Representação das Pessoas com Deficiência tem por finalidade tornar acessível o património cultural do arquipélago às pessoas com deficiência, aos idosos nacionais e estrangeiros, promovendo o Turismo Acessível e Inclusivo (TAI) com impacto a nível nacional.

PC/ZS

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