Três anos depois da erupção vulcânica no Fogo a população queixa-se da falta de apoio

 

Cidade da Praia, 23 Nov (Inforpress) – Os deslocados da erupção vulcânica do Fogo de 2014, que começou a 23 de Novembro e só terminou nos primeiros dias de Fevereiro de 2015, passados três anos, continuam a queixar-se da falta de apoio da parte das autoridades.

Instado a se pronunciar sobre esta situação, o deputado do Partido Africano da Independência de Cabo Verde, José Maria Veiga, então poder, disse que o seu partido sabia, à partida, que a solução dos problemas dos habitantes de Chã das Caldeira era uma “questão complexa”.

“Tentámos fazer um trabalho no sentido de resolver os problemas da população nessa altura e ao mesmo tempo tomar medidas de empoderamento dessas gentes de Chã das Caldeiras, a longo e médio prazo”, afirmou José Maria Veiga à margem do acto de entrega hoje no Parlamento de uma proposta de resolução que visa criar medidas para se fazer face ao mau ano agrícola.

Segundo o parlamentar do PAICV, durante as campanhas eleitorais, os discursos do Movimento para a Democracia (MpD-poder) sobre a matéria foram “desastrosos” e, hoje, prossegue, este mesmo partido é “vítima do discurso que fez e não consegue resolver os problemas das pessoas da Chã das Caldeiras”.

“Nota-se que há uma incompetência (da parte do Governo) em resolver os problemas de Chã das Caldeiras e a população já começou a sentir isso”, lamenta José Maria Veiga.

Quanto às construções que voltaram à cratera de Chã das Caldeiras, depois de esta localidade ter sido considerada zona de risco, afirmou que o ideal era que “não fossem permitidas construções ali”.

A permitir que houvessem ali construções, prossegue, estas tinham que ser “bem definidas”.

Reconhece, porém, que Chã das Caldeiras é um pólo económico, que permite às pessoas “ganhar a vida e recursos” e, por isso, considera “normal” que se dirijam àquela localidade.

“Há que fazer uma combinação entre a perspectiva da gestão de risco, em termos presente e futuro, e a perspectiva económica”, indicou o deputado, defendendo que “nunca a economia deveria sobrepor-se à questão do risco”.

A erupção vulcânica de 2014 teve início quando eram 09h45 na ilha do Fogo, indicara na altura  o Ministério da Administração Interna de Cabo Verde. Já desde às 19h00 de sábado que a actividade sísmica se tinha intensificado na região.

O incidente levou o Governo a decretar “situação de contingência” nas ilhas do Fogo e da Brava.

A explosão e a lava começaram a brotar de uma cratera próxima da que se abriu em 1995, quando ocorreu a última erupção.

A ministra da administração Interna da altura, Marisa Morais, tinha alertado que o país podia estar perante uma erupção de “grande intensidade”, que poderia mesmo ser superior à que foi registada em 1995.

LC/FP

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