Trabalhadores dos Correios ponderam fazer greve caso o subsídio de Natal não seja reposto a 100%

Cidade da Praia, 06 Dez (Inforpress) – Os trabalhadores dos Correios de Cabo Verde ponderam fazer greve, ainda no decorrer deste mês, caso o subsídio de Natal não seja reposto a 100% imediatamente, assegurou à Inforpress o Sindicato dos Transportes, Telecomunicações Hotelaria e Turismo (SITTHUR).

Segundo o secretário permanente do SITTHUR, Carlos Lopes, os funcionários estão descontentes com o Conselho da Administração da empresa pelo facto dessa ter adoptado unilateralmente uma deliberação que fixa o subsídio de Natal em 60%.

Carlos Lopes avançou que essa deliberação foi aprovada sem o consentimento dos trabalhadores e do sindicato que os representa.

“No ano passado, a administração resolveu tomar uma decisão e reduzir para 40%, ou seja, retirar 60%. Depois das negociações, as partes chegaram a um entendimento, tendo os trabalhadores recebido 60% e a empresa assumiu o compromisso de apresentar um regulamento da revisão do subsídio de Natal”, explicou o sindicalista, que acusou o conselho de administração dos Correios de não cumprir com o acordo, já que adoptou uma deliberação sem consultar os funcionários da empresa.

“Estivemos reunidos com os trabalhadores na semana passada, e foram muitos claros que não aceitam essa deliberação do conselho de administração em reduzir o subsídio de Natal para 60%. Já entregamos ao administrador executivo uma comunicação sobre a posição dos trabalhadores”, avançou o secretário permanente do SITTHUR, assegurando que, caso o subsídio não seja pago a 100%, o pessoal pondera fazer greve ainda este mês.

Carlos Lopes lembrou que, para além de ser um direito adquirido, o administrador anunciou recentemente que houve melhorias em termos financeiros, já que no ano passado tinham alegado que não tinham condições nem recursos financeiros para pagar o subsídio a 100%.

Por outro lado, o sindicalista avançou que há um certo descontentamento também pelos vários actos de gestão anómalos, onde recentemente a administração decidiu bloquear o acesso ao sistema de comunicação interna de vários trabalhadores.

“Os trabalhadores estão preocupados, também, uma vez que o conselho da administração da empresa está desfalcada há mais de seis meses, tem apenas um administrador executivo, um não executivo e não tem um presidente”, afirmou, frisando que os trabalhadores apelam ao Governo a nomear o novo conselho, não só para cobrir o vazio existente, como também para repor alguma normalidade no funcionamento da administração da empresa.

AV/JMV

Inforpress/Fim