Timor-Leste/Eleições: Oposição denuncia alegadas irregularidades antes da votação

Díli, 11 Mai (Inforpress) – A coligação da oposição timorense, a Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), denunciou hoje, véspera das eleições legislativas, o que considerou serem “várias irregularidades” e “crimes eleitorais” cometidos nos últimos dias em Timor-Leste.

Vários responsáveis da AMP, incluindo das comissões de jurisdição e ‘media’, detalharam aos jornalistas o que afirmaram ser problemas verificados nos distritos de Aileu, Baucau, Bobonaro, Díli e na Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA).

Os casos vão ser detalhados em queixas que a AMP vai apresentar junto dos órgãos eleitorais, o Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) e a Comissão Nacional de Eleições (CNE).

O coordenador-geral da AMP, Francisco Kalbuadi Lay, afirmou que a coligação quer que “os eleitores não sintam medo e vão votar”, e pediu à polícia e autoridades eleitorais “o máximo cuidado” e assegurem que a eleição decorre de foram “credível e segura”.

A conferência de imprensa decorreu no segundo de dois dias de reflexão antes da votação, depois de um mês de campanha marcada por muita polarização política, intensas críticas, incidentes – um dos quais grave – e muitos rumores, propaganda e notícias falsas difundidas nas redes sociais.

Pelágio Simões, da comissão de jurisdição da AMP, detalhou vários casos, incluindo suspeitas de que “militantes da Fretilin [Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente] tentaram comprar os votos de dois cidadãos” em Aileu, ou suspeitas de assalto a uma casa de um militante da AMP, em Venilale (Baucau).

“A AMP condena e lamenta e pede à policia que investigue o caso de forma profissional, garantindo a segurança máxima da população para que possa votar em segurança”, disse.

O mesmo responsável indicou outros casos em Cailaco (Bobonaro) de alegada intimidação de militantes da coligação e dúvidas sobre alguns boletins de voto em Covalima, questão já anteriormente denunciada pela AMP.

A AMP acusou ainda a Fretilin (no poder) de “comprar votos com dinheiro e arroz” na zona de Ramelau e Vila Verde e de supostamente estar a fazer um lista de habitantes locais a quem “prometeram apoio” se o partido vencer no sábado.

A coligação levantou ainda dúvidas sobre um suposto caso de falta de segurança no transporte de material sensível em Oecusse e denunciou uma situação que “o STAE tem que explicar” sobre alegadas alterações nos fiscais destacados em Bebonuk, Dili.
Vergílio Smith, outro dos dirigentes da AMP, disse que a coligação tinha recebido informações de que o STAE tencionava trocar ficais entre o momento de votação e de contagem.

As urnas para as legislativas antecipadas, a que se apresentam oito forças políticas, abrem às 07:00 de sábado (23:00 de sexta-feira em Lisboa) e encerram oito horas depois.

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