Inicio Internacional Skripal: Moscovo denuncia “manipulação de informação” após identificação de suspeitos russos

Skripal: Moscovo denuncia “manipulação de informação” após identificação de suspeitos russos

Moscovo, 05 Set (Inforpress) – A Rússia denunciou hoje uma “manipulação de informação” após as autoridades britânicas terem identificado oficialmente dois cidadãos russos como suspeitos de terem usado um agente neurotóxico contra um ex-espião russo no Reino Unido em Março passado.

Moscovo garantiu igualmente desconhecer a identidade dos dois indivíduos agora alvo de um mandado de detenção europeu emitido pelas autoridades britânicas.

“Apelamos uma vez mais aos britânicos que acabem com as acusações públicas e com a manipulação de informação”, declarou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, citada pela agência noticiosa pública TASS.

“Os nomes e as fotografias que publicaram nos ‘media’ não nos dizem nada”, acrescentou a porta-voz da diplomacia russa, pedindo a Londres para “cooperar” com a Rússia na investigação sobre o envenenamento com ‘novichok’ (um agente neurotóxico desenvolvido pela então União Soviética no final do período da Guerra Fria) do ex-espião russo Sergei Skripal e da sua filha Yulia Skripal em Salisbury, no sul de Inglaterra, a 04 de Março deste ano.

Este caso originou uma grave crise diplomática entre a Rússia e o Ocidente.

A Procuradoria da Coroa [Crown Prosecution Service] identificou hoje oficialmente dois suspeitos neste caso, Alexander Petrov e Ruslan Boshirov, considerando que existem provas suficientes para acusá-los de conspiração de homicídio de Sergei Skripal e de tentativa de homicídio de Sergei e Yulia Skripal e do agente de polícia Nick Bailey.

Os dois homens são ainda considerados suspeitos do uso e posse de substâncias químicas ilegais, cuja origem as autoridades atribuíram à Rússia, onde o ‘novichok’ foi desenvolvido no âmbito de um programa militar nos anos 1970.

O anúncio de hoje é o resultado de uma investigação pela Unidade de Polícia de Contraterrorismo ao ataque registado Março passado, que entregou o dossiê à procuradoria para avaliar a possibilidade de serem iniciados procedimentos criminais.

As autoridades britânicas indicaram hoje ainda que não vão pedir a extradição dos dois suspeitos a Moscovo porque a Constituição russa não permite a extradição de seus próprios nacionais e porque recusou pedidos de extradição em situações anteriores.

“No entanto, obtivemos um mandado de detenção europeu, o que significa que, se um dos homens viajar para um país onde o mandado de detenção europeu for válido, ele será preso e será extraditado para responder a essas acusações, para as quais não há prazo de prescrição”, vincou.

Segundo o chefe da unidade de contraterrorismo, Neil Basu, os dois homens poderão ter viajado “sob nomes falsos”, com o responsável a apelar à colaboração de todos para a identificação dos suspeitos.

O caso Skripal provocou uma crise diplomática que se traduziu numa acção coordenada inédita para a expulsão de diplomatas russos de vários países ocidentais, incluindo os Estados Unidos e dois terços dos países membros da União Europeia (UE), a que a Rússia respondeu com a expulsão de diplomatas ocidentais.

O Reino Unido mantém que o ataque contra os Skripal foi ordenado pelo Governo russo, uma acusação que continua a ser recusada por representantes do Presidente da Rússia, Vladimir Putin.

O ex-espião russo Sergei Skripal e a sua filha Yulia Skripal foram hospitalizados em estado crítico, mas sobreviveram e acabaram por ter alta médica depois de várias semanas de internamento.

Em finais de Junho passado, um casal ficou em estado crítico por exposição ao agente neurotóxico numa pequena cidade do sul de Inglaterra a uma dezena de quilómetros de Salisbury.

A mulher, identificada como Dawn Sturgess, acabaria por morrer a 08 de Julho. O homem acabaria por recuperar.

Inforpress/Lusa

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