Skripal: Líderes da UE juntam-se ao Reino Unido sobre a “altamente provável” culpa da Rússia

Moscovo, 22 Mar (Inforpress) – O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse hoje que os 28 países da União Europeia concordam com o Reino Unido de que é “altamente provável” que a Rússia seja responsável pelo envenenamento de um ex-espião na Inglaterra.

Tusk twittou na quinta-feira que os 28 Estados-membros concordaram que “não há outra explicação plausível” para o envenenamento de Sergei Skripal e da sua filha, Yulia, com um agente neurotóxico identificado como Novichok, cujo fabrico remonta à altura da União Soviética.

A declaração é uma vitória da primeira-ministra britânica, Theresa May, que tem pedido aos colegas da UE que apoiem a Grã-Bretanha, culpando a Rússia.

A Rússia nega a responsabilidade pelo ataque de 04 de março, que deixou os Skripals em condições críticas.

Na quarta-feira, Donald Tusk recusou felicitar Vladimir Putin pela sua reeleição nas eleições presidenciais russas no passado domingo, justificando a sua atitude com o caso do envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal em solo britânico.

“Depois do ataque de Salisbury [no sul de Inglaterra], não tenho disposição para felicitar Putin pela sua reeleição”, disse Donald Tusk, numa conferência de imprensa em Bruxelas, um dia depois do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ter enviado uma carta de felicitações a Putin.

A carta de Jean-Claude Juncker a Putin mereceu fortes críticas britânicas, porque a missiva não mencionou o clima de tensão verificado na sequência do caso Skripal.

“Esta carta de Jean-Claude Juncker é vergonhosa”, disse a eurodeputada e líder dos conservadores britânicos no parlamento europeu, Ashley Fox, num comunicado.

O antigo primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt, presidente da Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (ALDE) no parlamento europeu, também fez declarações muito duras sobre este assunto.

“Este não é o momento para felicitar”, referiu o político belga na rede social Twitter.

“Iremos sempre precisar de um diálogo com a Rússia, mas os laços mais próximos deverão ser sempre condicionados pelo respeito pela ordem internacional fundada em regras e valores fundamentais”, frisou Verhofstadt.

Este caso está a provocar um clima de forte tensão entre a Rússia e o Reino Unido. Londres anunciou a suspensão de contactos bilaterais de alto nível com Moscovo e a expulsão de 23 diplomatas russos do Reino Unido.

Em resposta, Moscovo também anunciou a expulsão de 23 diplomatas britânicos e o fim das actividades do British Council na Rússia.

Vladimir Putin foi reeleito Presidente da Rússia no domingo passado com 76,67% dos votos.

Inforpress/Lusa

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