SITTHUR discorda da decisão do Governo em retirar a TACV dos voos domésticos

 

Cidade da Praia, 24 Mai (Inforpress) – O Sindicato de Transportes, Telecomunicações, Hotelaria e Turismo (SITTHUR), discordou hoje da medida anunciada pelo Governo de que a TACV vai deixar de realizar os voos domésticos, transferido essa responsabilidade para uma companhia área privada.

“Trata-se de um retrocesso, em nossa opinião, deixar um quadro de concorrência existente presentemente, para passarmos a ter o monopólio de uma companhia privada, criticou o secretário permanente do SITTHUR, Carlos Lopes, em conferencia de imprensa realizada hoje, na Cidade da Praia.

Segundo Carlos Lopes “é muito estranho e difícil de se entender” o Estado deixar de investir na sua própria empresa, para passar a investir numa empresa concorrente.

“Se essas medidas forem implementadas, conforme foram anunciadas, significa a passagem de uma certidão de óbito à TACV e isso não queremos que aconteça!”, afirmou Carlos Lopes.

O SITTHUR defende que o Estado deverá preservar a sua presença na estrutura acionista da empresa, no quadro de privatização, através da abertura do seu capital ao sector privado.

“Entendemos que essas medidas deverão ser tomadas num quadro que visem defender esse património do Estado que é a TACV e salvaguardar o interesse público, disse o sindicalista.

Na opinião de Carlos Lopes “a razão principal da “grave situação” por que tem atravessado a nossa transportadora aérea nacional é a gestão deficiente”.

As políticas adotadas pelos sucessivos governos, são igualmente responsáveis pela situação actual da empresa, afirmou o secretário permanente do SITTHUR.

O sindicalista disse também que existem “problemas graves” que a TACV tem enfrentado de que praticamente não se fala, como por exemplo, os contratos de leasing, a inexistência de uma política adequada de combustíveis, a gestão de rotas, os seguros, de entre outros, que são os principais sorvedouros dos recursos da TACV.

Nesse processo de reestruturação da empresa, o sindicato defende que deverão ser salvaguardados, os postos de trabalho dos trabalhadores que laboram na transportadora nacional.

Num cenário de ter que haver redução de pessoal, o sindicato defende que deverá basear-se em estudos prévios devidamente fundamentados e ser feito num quadro de legalidade e de transparência.

“Pedimos ao Governo e ao Conselho de Administração da TACV que, no momento que já anunciaram as medidas que pretendem tomar para o futuro dessa empresa, que apresentem os estudos feitos que deem suporte e justifiquem essas mesmas medidas”.

Carlos Lopes disse que os sindicatos precisam dos estudos com a máxima urgência, para servirem de base para as negociações que, necessariamente, terão que ser encetadas em todo o processo com a administração da TACV e o Governo.

“Já tivemos oportunidade de discutir com a actual administração da TACV, algumas medidas que poderão ser adotadas num processo de redimensionamento do quadro do pessoal, evitando-se despedimentos “tout court” de trabalhadores, com todas as suas nefastas consequências para os mesmos”, lembrou Carlos Lopes.

O programa de pré-reforma dos trabalhadores que reúnam determinados requisitos previamente fixados e o programa de negociação de rescisão de contratos de trabalho, por mútuo acordo, são algumas das propostas.

JL/FP

Inforpress/Fim