Sindicatos da Praia, Sal, Santo Antão e Maio disponíveis para “apoiar de todas as formas” a luta do Sinapol

Cidade da Praia, 17 Jul (Inforpress) – Um grupo de sindicatos da Praia, Sal, Santo Antão e Maio disse hoje, na cidade da Praia, estar disponível para participar e apoiar de todas as formas a luta que o Sinapol entender levar a cabo.

Esta posição foi manifestada em conferência de imprensa pelos dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Financeiras (STIF), do Sindicato da Indústria, Serviços, Comércio Agricultura e Pesca (SISCAP), do Sindicato Nacional dos Professores (Sindep) na Praia e em nome do Sindicato da Indústria, Comércio, Hoteleira e Turismo (SICOTHUR), das Comunicações e Administração Pública, da ilha do Sal, do Sindicato Livre dos Trabalhadores de Santo Antão (SLTSA) e do Sindicato dos Trabalhadores do Maio (STM).

O grupo, disse o presidente do STIF, Aníbal Borges, assumiu esta posição ao tomar conhecimento que os participantes da greve dos policiais que resistiram ao cumprimento da requisição civil foram punidos com dois meses de pena de suspensão com efeitos suspensivos.

“Entendemos que com esta medida, o Governo deu um sinal grave de intolerância, que consideramos de atentado à democracia, bem como do direito à greve e à manifestação, constitucionalmente consagrados como um direito soberano dos trabalhadores”, afirmou aquele porta-voz.

O “mais grave”, referiu Aníbal Borges, é que com esta medida o Governo “viola flagrantemente” a convenção nº 87 da OIT, que reconhece o direito a todos os trabalhadores de constituírem sindicatos para defesa dos seus interesses colectivos ou individuais e de livremente exercerem as funções para as quais foram eleitos.

O sindicalista prosseguiu afirmando ainda que o Governo violou “de forma grosseira” todas as normas relativas aos direitos e garantias dos dirigentes e delegados sindicais, previstos na lei, para o exercício da actividade sindical.

“Estamos perante uma grave ameaça aos dirigentes sindicais, aos trabalhadores em geral e ao sindicalismo cabo-verdiano. Repudiamos com veemência tal atitude e manifestamos total solidariedade para com a classe policial e em especial para com os delegados e dirigentes do Sinapol”, disse.

Aquele dirigente sindical aproveitou ainda para, em nome do grupo, apelar ao Governo a “arrepiar caminho”, sob pena de criar condições para “graves perturbações sociais e agravar o ambiente de insegurança que se vive no país e que preocupa a todos”.

Refira-se que o Sindicato Nacional da Polícia (Sinapol) anunciou, para finais deste mês, uma greve de seis dias, com vista à “resolução definitiva” das suas reivindicações, contando com o apoio da central na qual está filiado, a Confederação Cabo-verdiana dos Sindicatos Livres (CCSL).

O líder do Sinapol, José Barbosa, fez este anúncio à imprensa, na segunda-feira, depois de entregar ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) um recurso, segundo ele, “sobejamente fundamentado”, pedindo o arquivamento dos processos pendentes, bem como a “anulação dos despachos punitivos” por estarem “feridos de legalidade”.

José Barbosa foi punido com reforma compulsiva e, relativamente a outros elementos da corporação, nomeadamente os delegados e coordenadores sindicais, o castigo vai até 125 dias de suspensão, com efeitos suspensivos.

O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, negou segunda-feira, que a punição dos dirigentes do Sindicato Nacional da Polícia, na sequência da realização da greve no final do ano passado, seja uma forma de condicionar o sindicalismo.

GSF/ZS

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