SIACSA responsabiliza Enapor pela greve e pede o retorno da posição inicial

 

Cidade da Praia, 17 Abr (Inforpress) – O presidente do Sindicato da Indústria Geral, Alimentação, Construção Civil, Agricultura e Serviços Afins (SIACSA) quer que a Enapor se responsabilize pela greve e pediu ao PCA da empresa o retorno do horário que vigorava a mais de 40 anos.

Gilberto Lima reagia, em conferência de imprensa, na Cidade da Praia, às declarações do presidente do conselho de administração da empresa de Administração dos Portos, Jorge Maurício, segundo as quais não haverá negociação com os grevistas, mas que a Enapor está aberta ao diálogo sobre o novo modelo implementado pela empresa.

“O que nós queremos é a paz laboral nesse porto. Queremos que a Enapor se responsabilize por esta greve e que o presidente do conselho de administração retome a sua posição inicial”, precisou.

Gilberto Lima avançou que a “tranquilidade” dos estivadores, em greve desde 13 de Abril por tempo indeterminado nas instalações do Porto da Praia, mostra que a medida imposta pela Enapor foi “contra as posições e lesa os direitos” dos mesmos.

“Trabalhem mais, recebem menos e morrem mais depressa”, apontou, acrescentando que é preciso verificar aquilo que é favorável para os trabalhadores, que, segundo ele, é o horário que laborava anteriormente.

O sindicalista fez saber que um outro motivo da greve é fazer com que a Enapor pare de arranjar “brigas” com os sindicatos e volte ao horário inicial, uma vez que, tal traz “prejuízos graves” ao Porto da Praia e, por conseguinte, “danos” ao próprio Estado de Cabo Verde.

Neste sentido, adiantou que os trabalhadores vão até as últimas consequências, relembrando que os estivadores, representados pelo SIACSA, já tiveram uma greve de nove dias num passado recente, e que no fim viram seus problemas resolvidos.

Ainda em relação a “abertura ao diálogo” manifestada pela direcção da Enapor, o sindicalista lembrou também que, no primeiro dia, a Enapor recorreu ao chamado “loucote”, isto é, “colocou mecânicos a manobrar no navio, o que é contra a lei”.

Por isso, o Gilberto Lima disse esperar urgentemente a intervenção da Inspeção-Geral do Trabalho para aplicar a coima à Enapor.

A adesão à greve dos estivadores, de acordo com o SIACSA, ultrapassa os 60 por cento, tendo somente um “número menor” a trabalhar no navio que está atracado no Porto da capital.

AF/CP

Inforpress/Fim