SIACSA pede explicações à Enapor sobre os critérios de contratação de oito estivadores para o porto de Vale dos Cavaleiros

Cidade da Praia, 18 Jul (Inforpress) – O presidente do SIACSA, Gilberto Lima, pediu hoje à Enapor que esclareça o motivo da contratação de oito novos trabalhadores e quais foram os critérios utilizados para a substituição dos quatros, cujos processos permanecem inalterados.

A solicitação do presidente do Sindicato da Indústria, Agricultura, Comércio e Serviços Afins(SIACSA), aconteceu hoje em conferência de imprensa, realizada na cidade da Praia, quando falava sobre a situação laboral dos portos de Cabo Verde e sobre a manifestação dos estivadores do porto de Vale dos Cavaleiros, na ilha do Fogo.

De acordo com Gilberto Lima, os estivadores da ilha do Fogo, que estão neste momento numa manifestação pacífica devido à contratação pela direcção da Enapor de novos trabalhadores, estão num impasse da resolução dos problemas laborais “sérios” no porto de Vale dos Cavaleiros.

Entretanto, em comunicado de imprensa, enviado hoje à Inforpress, a Enapor explicou, que de alguns anos a esta parte a empresa vem sendo confrontada com o quadro clínico de um grupo de oito estivadores, cuja debilidade vem impedindo o normal desempenho das suas funções em segurança naquele porto.

De acordo com a direcção da Enapor, no passado mês de Junho, os referidos trabalhadores foram submetidos a avaliação tendo sido atribuída a incapacidade para o exercício da actividade profissional a apenas três estivadores.

Perante este cenário, elucidou a Enapor que a empresa decidiu contratar oito trabalhadores, uma decisão que, conforme a nota, visa garantir a reposição da mão-de-obra e normal funcionamento das operações naquela estrutura portuária, sublinhando, por outro lado, que tal medida “não constitui pretensão de afastamento dos demais trabalhadores e não causa prejuízos financeiros aos mesmos”.

Neste sentido, o presidente do SIACSA questiona a direcção da Enapor sobre o motivo da introdução de oito novos trabalhadores e quais foram os critérios utilizados para a substituição dos quatro, cujos processos permanecem inalterados.

“Não estão em causa os direitos adquiridos, o que está é a redução do rendimento mensal e, contrariamente ao que se disse, são oito trabalhadores que foram substituir quatro, portanto há um erro grosso aqui. O bolo da classe de estivas é repartido por trabalhadores que trabalham diariamente e ao substituir quatro por oito reduz o seu rendimento mensal”, frisou.

Conforme avançou, para a concertação do problema foi realizada uma videoconferência entre o SIACSA e os administradores da Enapor mas que, segundo avançou, não se chegou a nenhuma conclusão para evitar a referida manifestação que, no seu entender, tem toda a razão de acontecer.

“As manifestações são uma forma de chamar a atenção dos governantes e da opinião pública para ver o que se está a passar na ilha do Fogo, que conta agora com quatro manifestações nesta ilha por causa dessas questões e, sinceramente, espero que a Enapor tome as rédeas e resolva os problemas da situação laboral dos estivadores no Fogo”, afirmou.

CM/ZS

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