Seria “infeliz” um desentendimento por via de manifestação dos trabalhadores dos TACV neste momento, ministro José Gonçalves

Cidade da Praia, 12 Mar (Inforpress) – O ministro do Turismo e Transportes e ministro da Economia Marítima considerou hoje que seria “infeliz” haver uma manifestação dos trabalhadores dos TACV quando se está à procura de “melhores soluções possíveis” para a companhia.

José Gonçalves reagia assim ao anúncio da manifestação dos trabalhadores marcada para quinta-feira, 15, quando instado pelos jornalistas sobre o assunto no final da sua audição na Comissão do Inquérito Parlamentar (CPI) da Assembleia Nacional sobre a gestão dos Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV).

“Seria infeliz, neste momento que estamos à procura de melhores soluções possíveis e com grande potencial futuro da nossa companhia em termos de um hub aéreo, negócio que nunca poderíamos ter imaginado, que haja desentendimento por via de manifestação”, precisou o ministro.

Entretanto, o governante realçou que Cabo Verde é um país de democracia e as pessoas estão no direito de manifestarem o seu desacordo, desde que estejam a cumprir com as leis e normas, mas que o seu desejo é que “toda a ansiedade em torno de uma solução dos TACV seja minimizada”.

“Queremos que haja uma nova imagem e que venhamos realmente a trabalhar em conjunto e resolver o problema. Espero que entre a administração dos TACV e os trabalhadores haja um entendimento para ultrapassar essas dificuldades”, sublinhou.

O anúncio da manifestação dos trabalhadores da TACV, que ameaçam convocar uma greve geral, caso a situação não se alterar em termos de negociação, no âmbito da reestruturação da companhia aérea nacional, foi feito pelo Sindicato de Transportes, Telecomunicações, Hotelaria e Turismo (Sitthur).

De acordo com o Sitthur, a decisão saiu de uma assembleia de trabalhadores, realizada no sábado, com o objectivo de avaliar a situação dos processos de reestruturação da TACV, sendo que a proposta de indeminização apresentada pela empresa para a rescisão por mútuo acordo, o programa de pré-reforma, condições para transferência de trabalhadores para ilha do Sal e ameaças de despedimento foram os assuntos debatidos durante a assembleia.

Em comunicado, o Sitthur diz que durante a reunião constatou-se “a existência, neste momento, de um clima de grande descontentamento e revolta no seio dos trabalhadores, por causa das medidas que estão a ser tomadas pela administração da empresa, ignorando completamente os trabalhadores e os seus representantes”.

“Constatou-se ainda, existência de um ambiente de grande pressão, de ameaças e de intimidação dos trabalhadores por parte dos responsáveis da empresa, no sentido de impor, à força, as suas medidas”, refere a mesma fonte.

Durante a reunião os trabalhadores insistiram na reabertura, urgente, do programa de pré-reforma e no cumprimento dos compromissos assumidos pela administração da empresa perante o sindicato.

O comunicado diz também que os trabalhadores não aceitam ser transferidos para a ilha do Sal, sem que, previamente, sejam discutidas e acordadas as condições para a transferência.

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