Saúde: Seis em cada 10 doenças que afectam o homem tem alguma relação com o ambiente ou animal – responsável INSP 

Cidade da Praia, 30 Jul (Inforpress) – O administrador executivo do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Júlio Rodrigues disse hoje que seis em cada 10 doenças que afectam o homem tem alguma relação com o ambiente ou com o animal.

Júlio Rodrigues revelou este facto hoje, em Cidade Velha, antecedendo a sua intervenção no painel “respostas e desafios no contexto “uma só saúde”, no âmbito do atelier “saúde única” (one helth sigla em inglês), promovido pelo Ministério da Saúde e da Segurança Social, em colaboração com o Ministério da Agricultura e Ambiente e a Organização Mundial da Saúde.

O administrador executivo do INSP, Júlio Rodrigues, que irá intervir no painel “Respostas e desafios no contexto “uma só saúde”, numa abordagem que visa reduzir a visão isolada fragmentada que cada sector tem sobre a saúde, explicou que a ideia é discutir a questão da saúde que é multissectorial e pluridisciplinar.

Tendo em conta que grande parte das doenças que afectam o homem, sobretudo de natureza infeciosa, tem alguma relação com o ambiente ou com o animal, defendeu que é necessário a junção e articulação de esforços para a criação de uma plataforma de coordenação e diálogo que permita dar respostas às situações de ameaças.

Segundo explicou, o INSP, a Direcção Nacional da Saúde, Direcção Nacional do Ambiente e a Direcção-Geral da Agricultura Silvicultura e Pecuária são as instituições que fazem parte da instância nacional de coordenação e que têm trabalhado em articulação para dar respostas às ameaças em que o país está sujeito a nível global onde as doenças infeciosas são comuns.

Uma vez que Cabo Verde está inserido numa sub-região que tem muitas doenças potencialmente epidémicas, disse que o arquipélago deve ficar em alerta no sentido de prevenir e dar respostas em tempo útil.

“A tuberculose é uma doença que afecta o homem e o animal”, disse o responsável sublinhando que a redução do peso do ambiente na saúde humana depende da intervenção de todos os intervenientes.

Por seu turno, o director geral do Ambiente, Alexandre Nevsky Rodrigues, que irá falar sobre a vigilância da saúde ambiental, explicou que o tema surge na vertente de Saúde Única que tem três componentes, nomeadamente a saúde animal, saúde das pessoas e saúde ambiental.

Avançou ainda que os dados mundiais indicam que cerca de 23 por cento (%) de mortes são provocadas por questões de insalubridade no meio ambiente.

A nível nacional, afirmou que foi criado um departamento de saneamento ambiental para cuidar dessas questões a nível do controlo da qualidade da água, do ar e do saneamento.

“A Saúde Única vai trazer uma maior coordenação, sendo que os recursos são escassos, e essa abordagem tripartida vai fazer com que os recursos sejam muito mais bem aproveitados e racionalizados entre as várias instituições que englobam essa questão”, sublinhou.

Os dados da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) referente a 2016 indicam que 60 por cento (%) das doenças infeciosas humanas são zoonoses, 75 por cento (%) dos agentes de doenças infeciosas no homem são de origem animal, 80 por cento (%) dos agentes causadores de doenças que podem ser utilizados como armas biológicas são zoonómicos e que cinco doenças novas no homem surgem por ano, sendo três de origem animal.

Promovido pelo Ministério da Saúde e da Segurança Social, em colaboração com o Ministério da Agricultura e Ambiente e a Organização Mundial da Saúde, o encontro tem por objectivo abordar esta temática por meio de uma visão holística demostrando a inter-relação das várias vertentes do termo saúde, destacando a saúde humana, animal e ambiental.

AV/FP

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